Berlim - Com o título Die Welt zu Gast bei Freunden (O Mundo como Hóspede entre Amigos), a Alemanha está empenhada em reverter a imagem conhecida no mundo todo de um povo fechado, frio, distante e muitas vezes sisudo. Para isso, o governo lançou em dezembro a Campanha da Amizade e dos Serviços Nacionais, uma iniciativa de três milhões de euros dos Ministérios da Economia e Tecnologia e do Interior para mudar a estima do alemão comum. ''Cada um tem de se perguntar o que pode fazer para que a Alemanha seja uma anfitriã amigável'', declarou, no início de março, o ministro da Economia, Michael Glos.
O problema é que, a poucos dias do início do Mundial, o povo alemão, salvo algumas exceções como Dortmund e Munique, tradicionalmente ligadas ao futebol, ainda parece não se importar com o grande evento que se aproxima, quando o país deve receber 3,5 milhões de visitantes.
Para tentar mudar essa situação, a prefeitura de Berlim lançou, em março, uma campanha para conscientizar o berlinense da importância de receber bem os visitantes durante a Copa. Com o título de ''Para Nossos Convidados, um Belo Sorriso'', tem a jogadora de futebol Christine Schoknecht como estrela. A cidade conta com 465 outdoors com 11 moradores pedindo gestos amigáveis para os visitantes. Ainda assim, o comportamento do cidadão comum continua distante.
Para o jornalista Robert Ide, do Tagesspiegel, um dos três maiores jornais de Berlim, a falta de empolgação se deve a três fatores. ''Normalmente, o berlinense não é muito empolgado. Além disso, tem várias opções de entretenimento, lazer, cultura e esporte'', analisa. ''E, para finalizar, muitos estão chateados com a Fifa pela não organização da festa, que contou com o envolvimento de muita gente durante os ensaios, e com a falta de possibilidade de lucrar com o Mundial, por causa das restrições impostas pela entidade'', diz.
A questão econômica também está entre os motivos apontados pelo diplomata brasileiro Gustavo de Sá, radicado na capital alemã há mais de um ano. ''Acho que eles estão decepcionados com a crise econômica do governo da cidade, um pouco frustrados por Berlim não ter se tornado a pulsante capital da Alemanha reunificada e também pela seleção alemã estar muito mal das pernas nos últimos tempos'', diz Sá.
Apesar da frieza da população, artigos da Copa tomam conta das grandes lojas. Bolas, bonés, camisas e mascotes em vitrines empurram o berlinense para o clima do evento. Com o verão, as ruas e as estações de trem, como a Alexanderplatz e a Friedrichstrasse, vão ganhando cores e tons da Copa, com bandeiras dos 32 países classificados e símbolos do Mundial.
A perspectiva dos responsáveis pelas campanhas de imagem é de que a Alemanha mostrará ao mundo um país receptivo e alegre. Isso já ocorre um pouco em Munique (onde o Brasil enfrenta a Austrália, em 18 de junho) e Dortmund (local do jogo da seleção contra o Japão, em 22 de junho), por causa de seus clubes, o Bayern e o Borussia, com torcidas fanáticas.
Para agitar os locais menos festivos, o governo investe na iniciativa ''A Alemanha Estende o Tapete Vermelho'', com outdoors mostrando alemães de várias profissões estendendo tapetes aos visitantes. Resta saber se vai funcionar. Para Herbert Hainer, presidente da empresa alemã Adidas, uma das patrocinadoras da Copa, ''o acontecimento futebol é uma chance gigante para o país sair da depressão dos últimos anos''.

SERVIÇO:
Fifa - www.fifaworldcup.com
Interep - (11)-3035-2811
Rede Accor - 0800-703-7000 e (11) 2122-8000
Fan Camp - www.fancampdortmund.de

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