Alemanha prepara festa para a Copa do Mundo
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Eduardo Maluf<br> Agência Estado 
Berlim - Comer salsichão, tomar uma das melhores cervejas do planeta, caminhar pelo impressionante Castelo de Neuschwanstein, admirar a paisagem das montanhas alpinas e da Floresta Negra, assistir a um concerto na terra da música e viajar pela fantástica ou nem tão fantástica assim história de Berlim. Por esses e muitos outros motivos milhões de turistas visitam a Alemanha anualmente. Pare por alguns segundos e imagine tudo isso como cenário de uma Copa do Mundo, a 18 da história.
Quem tiver a sorte de poder acompanhar de perto o evento, entre 9 de junho e 9 de julho de 2006, viverá, seguramente, momentos inesquecíveis. Os alemães trabalham pesado a cada dia para organizar uma competição histórica e receber a aprovação do mundo. Falhas seriam imperdoáveis para o orgulho desse povo considerado frio.
O rótulo de país sem emoção, sem vibração e frio, por sinal, incomoda bastante os anfitriões, que prometem fazer de tudo para apagá-lo. E eles sabem que a melhor hora é agora. ''Pode escrever: vamos mostrar durante a Copa que nós, alemães, não somos frios. Faremos uma grande festa'', garante, enfática, a estudante de jornalismo Sonja Lippmann, de Hamburgo.
Sonya parece ter razão. Mesmo faltando quase seis meses para o início do Mundial, os alemães, apaixonados por futebol, mostram interesse e fazem contagem regressiva, algo que não ocorreu, por exemplo, há quatro anos com japoneses e coreanos na Ásia.
Quem esteve no país europeu nos últimos dias para o sorteio dos grupos da Copa pôde perceber a preocupação em ajudar, em acertar em demonstrar calor humano, mesmo que a seu modo nada parecido com o estilo latino de agir.
Fazer perguntas em inglês não é mais tido como ofensivo no país que trombou por décadas no ''Muro da Vergonha''. Na pior das hipóteses, o cidadão vai dizer que não fala inglês. O que, na verdade, não é nada raro. Em Dortmund, por exemplo, são poucos os que dominam o idioma.
Mas a língua não será, de jeito nenhum, uma barreira. Os alemães se organizam para facilitar ao máximo a vida de seus convidados. Hoje ainda são pouco comuns as placas, os sinais e os avisos em inglês nas estações de trem e metrô, mas, para a Copa, tudo será diferente, prometem. ''Será um Mundial memorável'', aposta o presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter.
Os trens serão boa opção para a locomoção entre as cidades dos jogos: confortáveis e, quase sempre, pontuais. O calor pode incomodar um pouco. Mas nada que uma boa cerveja alemã não resolva. E a enorme segurança das cidades é garantia de tranquilidade. ''Podem ter certeza, estamos preparados, vai dar tudo certo'', diz Franz Beckenbauer, mostrando otimismo, apesar da tensão natural de presidente do Comitê Organizador.
O Estado preparou uma série especial de reportagens com informações de passeios, de restaurantes, dos principais pontos turísticos, dos meios de transporte, dos estádios e dos melhores lugares para se fazer compra nas cidades em que o Brasil jogará na primeira fase: Berlim (contra a Croácia, 13 de junho), Munique (diante da Austrália, 18) e Dortmund (contra o Japão, 22).


