Os grandes destaques do ''remake'' de ''Gabriela vêm de onde menos se espera. Ao completar dois meses no ar, a trama de Walcyr Carrasco, inspirada na obra mais traduzida de Jorge Amado, não chegou a empolgar a audiência, que se mantém nos 18 pontos de média. Mas surpreendeu. Juliana Paes, que vive a personagem-título e era a presença mais aguardada da produção, tem passado quase despercebida na história. Não que a atriz esteja deixando a desejar no papel, mas não tem o carisma necessário quando as comparações se remetem à versão da inebriante Sônia Braga. Nem mesmo seu Nacib, de Humberto Martins, chega perto das referências fortes da interpretação de Armando Bógus. Obviamente trata-se de uma produção exibida 30 anos depois, com outra linguagem, uma edição diferenciada e outra direção. Mas os grandes méritos da trama estão nos papéis menos aguardados.
Luiza Valdetaro, por exemplo, tem surpreendido como a bela e sensível Gerusa, uma sofrida menina rica que se apaixona por Mundinho Falcão, de Mateus Solano. Exatamente o maior desafeto político de seu avô, o temido coronel Ramiro Bastos, de Antônio Fagundes. A cada cena, quase sempre com uma caprichada fotografia e apurada estética, a personagem de Luiza comove e consegue transmitir com eficiência todo seu conflito com o amor proibido.
O mesmo acontece com José Wilker, que depois de anos interpretando tipos que sempre se remetiam à própria figura do ator, finalmente o cearense de Juazeiro do Norte voltou a trazer total verossimilhança a um personagem. O seu ensimesmado Coronel Jesuíno se destaca diante dos últimos trabalhos de Wilker. Desde antes mesmo das sequências de quando descobriu que era traído pela falecida Sinhazinha, de Maitê Proença, Wilker já explorava com maestria todas as possibilidades cênicas oferecidas a cada cena.
Prova de que nem sempre os papéis de maior destaque da versão anterior, da mesma produção, são parâmetro para boas atuações. O mesmo se pode dizer de Maria Machadão, vivida por Ivete Sangalo nesta versão, e por Eloísa Mafalda na produção exibida em 1975. Mesmo correta e ainda tateando a personagem baiana, o que causou uma facilidade para a atriz-cantora, Ivete ainda precisa de muitas horas de cenas para se equiparar à interpretação da inesquecível Eloísa.
Já Vanessa Giácomo vira um contraponto. A Malvina, antes interpretada por Elizabeth Savalla na produção adaptada por Walter George Durst, também se destacava. Assim como esta versão de Malvina por Vanessa. Na verdade, a atriz se sobressaiu na tevê desde sua estreia como protagonista de ''Cabocla'', em 2004. Segura em cada diálogo e trejeito de sua personagem de ideias avançadas para meados da década de 20, Vanessa consegue ''atrair'' toda a atenção das câmaras para sua personagem. Mérito também da competente direção de Mauro Mendonça Filho e do inspirado texto de Walcyr Carrasco.

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