São Paulo - Após interpretar muitos mocinhos na TV, o ator Thiago Lacerda tem convencido o público na pele do vilão Marcos, da novela "Alto Astral" (Globo). Cabe a ele fazer cara de mau, enquanto arma para separar o casal Caíque (Sergio Guizé) e Laura (Nathalia Dill).
"A primeira impressão é que ele é aquele vilão comum, que só quer separar o casal protagonista. Mas não, o Marcos vai além. Tem um lado humano dele nessa história", adianta o ator.
Tão adotado por Maria Inês (Christiane Torloni) quanto Caíque, Marcos parece ter criado esse personagem para enfrentar as rejeições que colheu pela vida, segundo Lacerda. "O Marcos foi rejeitado por duas famílias antes de ser acolhido pela atual, então, cresceu cultivando esse medo de ser deixado para trás. Por isso, ele se tornou amargo e não se permitiu ter uma relação mais sadia com o Caíque ao longo da vida", analisa.
Embora seja clássica a história de dois irmãos disputando tudo, desde o carinho dos pais até o amor de uma mulher, a de Marcos e Caíque parece ser diferente. De acordo com Lacerda, Laura é um objeto na relação entre os irmãos. "De fato, o Marcos não ama a Laura. Ele aceitaria perder essa mulher, se não fosse para o Caíque", diz o ator. "Penso que, na verdade, o Marcos não quer a Laura, ele quer o Caíque, quer ser próximo do irmão, ser amigo dele e, no fundo, o admira mais do que os outros", completa.
Ainda quando o assunto é Laura, outro mistério surge. Afinal, se não é amor, o que Marcos procura na jornalista? "Tem um mistério nessa ambição do Marcos pela Laura que será revelado em breve. Isso vai explicar por que ele faz tanta coisa torta, imoral e sem ética para tê-la perto dele. Não há amor ali", adianta Lacerda.
Em "Alto Astral", a única pessoa capaz de acessar algum sentimento do vilão é sua secretária, Sueli (Débora Nascimento). Além de ajudá-lo em suas tramoias, ela é amante do patrão e tem se sujeitado a inúmeras humilhações por gostar dele. "A Sueli ama o Marcos por ele ser um homem charmoso, por ele ter poder e dinheiro, e pela química que os dois mantêm. Por isso, a Sueli será capaz de muita coisa", comenta Débora, que faz sua primeira vilã em novelas.
Segundo Lacerda, a relação entre Marcos e Sueli pode fazer com que o vilão demonstre seus sentimentos. "A Sueli é um ponto de acesso humano para o Marcos, mesmo que de maneira primitiva, pois os dois sentem um tesão muito forte", diz. "Ela realmente gosta dele. Então, se houver alguma chance de o Marcos se redimir, acredito que será com a ajuda da secretária", complementa o ator.
Nos próximos capítulos, a relação dos dois vai estremecer. Depois que vazar para a imprensa a história de que Caíque operou um paciente no hospital sem energia elétrica, Marcos vai acusar Sueli, que tinha feito um relatório sobre o acontecido. Ele vai aproveitar uma viagem da secretária ao exterior e armará um plano para que ela seja presa fora do Brasil.

Coisas de vilão
Enquanto o público fica indignado com as maldades de Marcos - e as mulheres suspiram por seu olhar sedutor -, Thiago Lacerda se diverte com a repercussão do terceiro vilão de sua carreira em novelas. "As pessoas odeiam o Marcos. E é um sucesso! Elas me dizem que ficam incomodadas com o jeito dele. Mas logo elas se lembram de algum herói ou mocinho que eu fiz e diferenciam o ator do personagem."
Entre 2001 e 2002, Lacerda interpretou seu primeiro vilão, Adriano, na novela "As Filhas da Mãe" (Globo). "Ele era muito juvenil. Tinha essa pegada do Marcos, de ser um vilão de novela das sete, que é suave, apesar das maldades", diz. "Diferentemente do Alex, que era de uma natureza mais perigosa, era um contrabandista de alma suja mesmo", complementa o ator, referindo-se ao vilão de "América", trama exibida pela Globo em 2005.
Focado em dar vida ao personagem, o ator adianta que, após o término de "Alto Astral", voltará ao teatro com textos do dramaturgo William Shakespeare (1564-1616). "Quero descansar um pouco e, em julho, vou me dedicar a esse trabalho. Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, pois demanda muita energia", diz. "Amo o que eu faço, amo ser ator e sou feliz por ter encontrado a minha vocação", encerra Lacerda.

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