Além da cena
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sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Prestes a completar 20 anos como integrante da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Tânia Farias resolveu fazer um balanço de toda a sua trajetória. O momento de reflexão a levou a seguir um caminho inverso à criação de personagens que interpretou. Surgiu então "Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência", apresentação solo na qual a atriz mostra ao público a desmontagem de quatro personagens vividos por ela em espetáculos do grupo gaúcho. A peça solo é a atração de hoje no 13º Festival de Dança de Londrina e será apresentada às 20h30, no Circo Funcart.
Na montagem, Tânia permite entrever como suas vivências pessoais e da companhia perpassam a criação de diferentes personagens, geradas entre 1999 e 2011. Por meio da memória corporal, a artista faz surgir e desaparecer esses seres imateriais, realizando uma espécie de ritual de evocação dos "mortos" para compreensão dos desafios de se fazer teatro nos dias de hoje.
"A peça mostra como a criação das personagens abordadas sofreu várias influências externas, do próprio coletivo de teatro, do momento político e social do País e de diversos outros elementos. Conto experiências minhas íntimas, pessoais e intransferíveis em forma de depoimento. É um desnudar-se e, sem dúvida, a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha carreira", afirma.
Como elo entre tantas personagens, destaca-se a violência contra a mulher em suas múltiplas variantes, uma questão central para a tribo Ói Nóis Aqui Traveiz desde a formação do grupo. "Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência" dá continuidade às experiências da companhia em torno do teatro artaudiano e da performance contemporânea, que propõem a dissolução das fronteiras entre vida e arte, através da conversão de atos reais em mecanismos simbólicos.
"Existiram muitos avanços na questão do papel da mulher na sociedade ao longo dos tempos. Mas, apesar de todas as conquistas, muitas mulheres ainda são vistas como propriedades dos homens. E mesmo as que conseguiram um lugar de destaque no mercado de trabalho e até mesmo na política ainda continuam repetindo a lógica patriarcal que domina o homem", avalia a atriz.
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978, e durante mais de três décadas construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil. Com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e o ímpeto de levar o teatro para a rua, abriu novas perspectivas na tradicional performance cênica do sul do País.
Na busca de uma identidade, desenvolveu uma estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação. Para o grupo gaúcho sediado em Porto Alegre, o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição.
Serviço:
"Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência" com Ói Nóis Aqui Traveiz
Quando Hoje, às 20h30
Onde Circo Funcart (Av. Sen. Souza Naves, 2380)
Quanto R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)


