Além da beleza
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terça-feira, 04 de junho de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Alegrias e frustrações típicas da juventude foram o ponto de partida de muitas tramas de Antonio Calmon na virada dos anos 1980 para 1990. Como a série "Armação Ilimitada" e os folhetins "Top Model" e "Vamp". Experiente no assunto, em 1993, o autor ofereceu à Globo "Sex Appeal", uma minissérie de 20 capítulos para ser exibida a partir das 22 horas. Só com a liberdade deste horário, ele poderia abordar o cotidiano de jovens de uma maneira mais crua e "pesada" que o habitual.
Ambientada no mundo da moda, Calmon quis mostrar o lado menos glamuroso dos concursos de beleza e das agências de modelos. Entre as incertezas de meninas tão novas que se desesperam por uma oportunidade de seguir na carreira, o autor também introduziu trama policial, além de temas como sexo, drogas e conflitos entre pais e filhos. "Achei que, a partir da indústria da moda e da beleza, eu poderia tocar em assuntos mais pesados, de forma mais amena, sem espantar o público. Era o jeito de reunir meninas lindas em busca de um sonho e suas particularidades", justifica o autor.
De visual urbano, "Sex Appeal" foi gravada entre São Paulo e Rio de Janeiro e teve a assinatura de Gringo Cardia nos cenários e na produção de arte. Com direção-geral de Ricardo Waddington, o ponto de partida da minissérie era o concurso para selecionar a nova modelo da agência Sex Appeal, de propriedade dos picaretas Edgar e Cecília, interpretados pelos falecidos Cleyde Yáconis e Walmor Chagas.
Entre as candidatas do concurso, a principal concorrente era a traumatizada Angel, de Luana Piovani, que tinha de disputar o prêmio com a destemida Vilma, de Camila Pitanga, sem deixar de se preocupar com o jeito dominador e ambicioso de Eva, a aprendiz de vilã interpretada por Danielle Winits.
Completam o time de beldades a inocente Claudinha, de Carolina Dieckmann, a viciada em drogas Andréa, de Cláudia Rangel, e a exuberante Patrícia, de Renata Lima. "Tinha 16 anos e fui para o Rio de Janeiro gravar a minissérie. O engraçado é que o que estava sendo retratado no texto já tinha acontecido comigo", ressalta a protagonista, Luana Piovani, que, até passar no teste para viver Angel, já ganhava a vida como modelo fotográfico e de passarela.
Modelos em início de carreira e com pouca ou quase nenhuma experiência como atriz, o sexteto foi escolhido a dedo por Ricardo Waddington. E chama a atenção o caminho distinto, mas de destaque, das quatro primeiras atrizes. "A minissérie poderia ter sido um fracasso, mas já teria valido a pena só por lançar esses nomes. Foram apostas que deram certo porque não eram apenas bonitas, elas tinham espontaneidade e frescor. Era exatamente isso que a gente precisava naquele produto", analisa o diretor.
Entre as intérpretes, a única que ainda estava em dúvida sobre seguir ou não a carreira de atriz era Carolina Dieckmann. "Eu tinha 14 anos na época e não tinha a noção do que queria fazer. As coisas foram acontecendo. Não pensava em ser atriz porque achava que não conseguiria decorar um texto", explica Dieckmann, aos risos.
Entre os principais nomes do elenco adulto, Elizabeth Savalla, na pele da superprotetora Margarida, mãe de Angel, era o ponto de destaque da trama policial. A personagem e sua filha eram perseguidas por um sujeito misterioso, o maníaco Walter, de Dennis Carvalho.
Na verdade, o homem que as amedrontava era o ex-marido de Margarida, que ela achava que estava morto. Sem saber o que fazer, ela acaba contratando o detetive particular Arthur, de Mário Gomes, e se sente atraída por ele. "Minha personagem era a típica mãe zelosa de modelo. Daquelas que acompanhavam a filha em tudo. Gostava da trama de suspense envolvendo a Margarida", destaca Savalla.
Outra integrante do elenco adulto era a ex-modelo, que, na época, dava seus primeiros passos como atriz, Betty Lago. Ao dar vida à extravagante Vicky, apresentadora do concurso, a atriz viu outras oportunidades dentro da Globo. "Foi um momento bacana. A personagem tinha muito a ver com o universo em que eu já estava inserida. E desse trabalho, fui direto para 'Quatro Por Quatro', uma das melhores experiências que tive em tevê", rememora Betty.


