Alegria terapêutica
DivulgaçãoPlantão Sorriso: levando a fantasia do teatro para a criança que vive um momento difícilDuas vezes por semana, um grupo de atores londrinenses deixa os problemas de lado e veste um sorriso no rosto para alegrar um mundinho difícil e triste por natureza: a enfermaria pediátrica do Hospital Universitário de Londrina. É o Plantão Sorriso que, há um ano, vem desenvolvendo um trabalho de cirurgia na tristeza dos pequenos internos daquele hospital.
Formado por seis atores e coordenado pela atriz e psicóloga Luciana Bazzo Bertoncini, o Plantão Sorriso não apresenta espetáculos propriamente ditos naquele local. O que a gente faz é levar a fantasia do teatro, através da figura do palhaço, para a criança que vive um momento difícil. Além do sofrimento da doença, a sensação de solidão e tristeza é muito grande - diz Luciana.
Mas o que o Plantão Sorriso faz não é o trabalho do palhaço das festinhas de aniversário, que sempre aparece nestes locais em datas específicas. A gente parodia procedimentos médicos e hospitalares, interagindo com médicos, enfermeiras e crianças. Fazemos, por exemplo, a extração de chulé e receitamos pílulas de alegria - conta.
Caráter terapêutico O principal, porém, é a improvisação. A criança vem sempre em primeiro lugar e, conforme reage, vamos improvisando em cima. Às vezes, ela está tensa e com medo, não aceita o tratamento. Aí a gente chega, brinca daqui, brinca dali, ela relaxa e a equipe do hospital pode chegar - afirma. A própria equipe médica solicita atenção do grupo quando sente dificuldades com algum pequeno paciente.
A idéia de montar o grupo foi da própria Luciana, depois de conhecer o trabalho dos Doutores da Alegria, de São Paulo, em 95. Foi buscar com o grupo paulista subsídios para fazer um trabalho semelhante. Convidou os atores e batalhou por patrocínio, via Lei Municipal de Incentivos Fiscais. Conseguiu dois, da Associação Comercial e Industrial de Londrina e do Banco do Brasil.
O grupo passou por treinamento especial com Ricardo Queirolo, o Picolino, padrinho do grupo, com os Doutores da Alegria e no próprio hospital. Ficamos dois meses só conhecendo o HU, para que, quando começássemos a atuar, não fôssemos um incômodo e sim um acréscimo - conta. Como psicóloga, posso afirmar que o trabalho tem um caráter terapêutico - diz. Para ela, a própria regularidade do que se faz é importante. Há crianças na enfermaria que estão lá desde que começamos. Fazer parte do dia-a-dia delas é essencial. E até para a própria equipe do hospital. Três minutos de gargalhadas relaxam e dão mais ânimo para lutar - garante.(T.E)





