Alegria mórbida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Uma comédia francesa de gosto estranho, que enxerga humor dentro de um triângulo amoroso incomum; um homem, uma mulher, e um morto. O filme ''Enfim, Viúva'' - que estreia hoje na programação do Cine Com-tour/UEL - conta a historia da bela quarentona Anne-Marie (Michèle Laroque), que é casada com o prestigiado cirurgião plástico Gilbert (Wladimir Yordanoff) e tem tudo o que um boa vida pode oferecer; uma casa grande, móveis caros e estabilidade financeira. Mesmo assim, ela só é verdadeiramente feliz nos braços de seu amante Léo (Jacques Gamblin), um homem que tem o espírito aventureiro, mora em uma balsa ancorada e escapa das convenções burguesas.
Não suportando a própria existência enfadonha e a chatisse da vida conjugal, Anne-Marie decide fugir com o amante para a China, país onde Léo planeja se arriscar em um novo negócio. No mesmo dia em que ela toma essa decisão, ao chegar em casa encontra sua família reunida para dar uma triste notícia: seu marido havia acabado de morrer em um acidente de carro.
Mal conseguindo esconder a felicidade pela morte prematura do marido, Anne-Marie agora vislumbra um futuro novo e cheio de possiblidades com Léo, mas esbarra na superproteção de sua própria família. Seu filho Christophe (Tom Mortom), acredita que sua mãe não parece tão arrasada porque está escondendo seu sofrimento, e assume a missão de planejar uma verdadeira ''blitz'' para não deixá-la sozinha nem por um minuto. As piadas do roteiro se concentram nas enrascadas em que a viúva se mete para tentar reencontrar o seu amante, apesar de ser vigiada por todos os lados.
Subvertendo qualquer elemento dramático que poderia ter surgido na situação, a direção de Isabelle Mergault transita irregularmente entre a comédia e o drama, trazendo a tona elementos que relembram a morte de Gilbert - que, afinal, não era um marido tão ruim assim - ao mesmo tempo em que ilustra a esperança de uma nova vida da protagonista com Léo - amante que, às vezes, também assume uma postura decepcionante. No meio disso tudo, parece que nem a personagem de Anne-Marie, atrapalhada e confusa, consegue entender se ri ou chora.


