'Alegria' é premiado em festival colombiano
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terça-feira, 12 de agosto de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Há três anos, o advogado Müller Barone, de Curitiba decidiu abandonar a carreira advocatícia para investir no sonho de ser cineasta. Agora, aos 54 anos, ele comemora sua primeira premiação com o filme "Alegria", que foi o vencedor da categoria "Melhor Curta-Metragem", no Festival Internacional Cine al Mar de Santa Marta, que aconteceu entre 17 e 21 de julho, na Colômbia. "Este é o meu segundo curta-metragem e a premiação é muito importante pela visibilidade que ela proporciona", comenta o cineasta, por telefone.
Prova disso é a participação - já confirmada - na mostra paralela de cinema do Festival de Palm Springs, no norte da Califórnia (Estados Unidos). "Concorremos com uma média de 3 mil filmes de curta-metragem e ficamos entre os 100 que serão exibidos no evento", comemora Barone. Além disso, ele conta que já recebeu o convite de uma produtora americana para exibir o filme em um canal fechado dos Estados Unidos: "Isso seria muito bom e estamos torcendo para que dê certo", acrescenta.
Totalmente filmado em Curitiba, em região próxima ao Largo da Ordem, o curta (de 11 minutos e 23 segundos) conta a história de um artista de rua que se apresenta toda terça-feira sob a forma do sempre contagiante Arlequim. Um dia, ele encontra um estranho que lhe parece bastante frio, sendo que o destino voltará a cruzar essas duas histórias. "Na verdade, o enredo da história surgiu em uma conversa com meu irmão e durante o processo de produção e pesquisa, fomos modificando algumas partes, até porque o cinema é um trabalho bastante coletivo, em que toda a equipe dá sua contribuição", observa. Com um orçamento enxuto, o curta foi feito com R$ 4 mil, contando apenas com recursos próprios. "Acabei tendo a contribuição de vários amigos e, ao todo, conseguimos arrecadar R$ 8 mil. Os R$ 4 mil que restaram serão utilizados para as taxas de inscrição de alguns festivais internacionais", observa o cineasta.
O Arlequim, no caso, acabou por ser composto com referências de diversos palhaços, como clown e pierrot. Sem diálogos, o filme também ganha pontos ao investir em um formato que acaba por contribuir para uma comunicação mais universal. Com roteiro e direção de Müller Barone, o curta ainda tem direção de fotografia de Raphael Bittencour. Um dos destaques do curta é a trilha sonora, assinada pelo músico e publicitário Marco Duboc. Tendo a flauta como instrumento principal já que é utilizada pelo protagonista a trilha foi elaborada especialmente para o curta.
Entre as referências utilizadas estão os filmes do Charlie Chaplin, esquetes musicalizados de clowns, do Cirque du Soleil, e algumas trilhas do Ennio Morricone. "A música não está lá como apoio ao enredo, mas como parte da narrativa. Ela existe porque os personagens a colocam no dia a dia, não porque enfeitamos as cenas para provocar emoções além daquelas que elas devem passar", diz Barone.
Como o filme está em fase de divulgação em festivais, ele não pode ser disponibilizado na íntegra publicamente, na internet, até março de 2015, mas existe a possibilidade de ser exibido em sessão privada no final deste mês, no Centro Europeu de Curitiba.


