Alceu Valença finaliza álbum gravado há dez anos
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Folhapress 
São Paulo - De fala rápida e raciocínio amplo, Alceu Valença, de 67 anos, comenta: "Os intelectuais falam que o tempo é o aqui e agora. Mas não é só. O tempo são três: presente, passado e futuro, tudo ao mesmo tempo".
É uma maneira de explicar a antiga origem e longa gestação de seu disco novo, "Amigo da Arte", gravado há mais de dez anos, entre 2001 e 2002, mas só agora finalizado e lançado, com quase nada mexido - só um ou outro toque, segundo ele, como a participação da cantora portuguesa Carminho, de 29.
O conceito do álbum é também um olhar sobre o Carnaval de Pernambuco, de todas as épocas e todos os estilos, passeando por gêneros como frevo, maracatu, caboclinho e ciranda. "O disco está ligado às festas de rua de Pernambuco - da mesma maneira que um camarada que faz blues está ligado às festas de rua de Nova Orleans", afirma Alceu Valença, via Skype, de Lisboa, em Portugal.
"Cresci ouvindo isso [os ritmos de rua do Carnaval]. No Recife, eu morava numa rua que eu chamava de 'carnavalódroma', porque era onde passavam os blocos todos que iam para o centro da cidade brincar de Carnaval." Segundo Alceu, "passavam lá blocos de frevo de rua com metais, de caboclinho com bandas de pife, os blocos mais negros dos maracatus". "Dei a sorte de morar nessa rua, foi a minha formação", afirma o cantor.
"Amigo da Arte" é o primeiro disco de Alceu Valença desde 2009, quando lançou "Ciranda Mourisca". No álbum, o compositor e cantor reinterpreta canções de toda a carreira, além de clássicos carnavalescos do Recife.
Regravações
Figura muito presente no Carnaval nordestino (em 2013 esteve em nove palcos), no novo-velho disco ele investiga diferentes imaginários da festa de rua, trazendo naturalmente o ritmo-símbolo frevo, mas também diversas variações e diferenças.
Aparecem regravadas peças famosas como "Frevo N´ 1 do Recife", de Antonio Maria, e "Voltei, Recife", de Luiz Bandeira. Também estão lá faixas próprias de Alceu por ele já cantadas em outras ocasiões, como "Maracatu" (que foi lançada em 1982), "Olinda" (gravada em 1985) e a faixa-título "Amigo da Arte" (lançada em 1986).
Ele comenta a variedade: "Esse disco mostra o caboclinho, que é da Zona da Mata. O frevo de bloco, que é mais dolente. Também o frevo de rua, mais agitado. O maracatu também aparece. Não é necessariamente um disco só para Carnaval, mas é um apanhado geral do carnaval de Pernambuco". Todos os tempos, ao mesmo tempo. O álbum "Amigo da Arte", gravado pela Deck, chega às lojas entre 18 e 20 de março, a R$ 29,90.


