Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo voltam à cena com um "baião de três" vitorioso
Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo voltam à cena com um "baião de três" vitorioso | Foto: Marcos Hermes/ Divulgação



A música popular brasileira tem vivido um boom de artistas consagrados unindo forças em formato de trio. O mais recente deles é o Trinca de Ases - formado por Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis, que iniciou recentemente uma turnê pelo País. Tem ainda o festejado retorno dos Tribalistas de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, que após um hiato de 15 anos lançaram um novo álbum na semana passada. Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo também voltaram à cena com o vitorioso projeto "O Grande Encontro". O novo espetáculo dos artistas nordestinos chega a Londrina nesta sexta-feira (1º), às 21 horas, no Moringão. O evento tem apoio do Grupo Folha de Comunicação.

Esta é a quarta formação de "O Grande Encontro", que surgiu em 1996 como um quarteto que incluía ainda o cantor e compositor Zé Ramalho, que não participa desta edição por estar excursionando com seu show solo. Vinte anos depois, a paraibana Elba Ramalho e os pernambucanos Geraldo Azevedo e Alceu Valença protagonizam um dos espetáculos mais aclamados da temporada.

O show apresenta novidades em sua atual edição. Ao contrário da versão original que possuía um formato acústico, com interpretações que recriavam a mística do cancioneiro com intimismo e delicadeza, o novo espetáculo incorpora uma sonoridade elétrica e percussiva.

No repertório, entre trios, duetos e momentos solos em cena, estão os clássicos que todo mundo quer ouvir: "Anunciação", "Banho de Cheiro", "Dia Branco", "Tropicana", "Moça Bonita", "Caravana", "Belle de Jour", "Canção da Despedida", "Coração Bobo", "Táxi Lunar", "Bicho de Sete Cabeças" e tantas mais.

"O Grande Encontro" surgiu impulsionado por estas coincidências misteriosas. Em 1995, Alceu, Geraldo e Zé Ramalho (além de Luiz Melodia) fizeram juntos um show beneficente no Teatro Guararapes, em Recife. Animado, Geraldo sugeriu a Zé que o trio idealizasse um espetáculo juntos.
Como Alceu tinha outros planos, Geraldo e Zé começaram a excursionar em duo. Um ano depois, Alceu subiu ao palco em um show da dupla no Canecão. Elba, na plateia, emocionou-se ao ver o trio cantando "Táxi Lunar". O produtor Paulo TA sugeriu: Por que não reunir os quatro no mesmo palco?

Logo a ideia evoluiu para um ensaio geral na casa de Geraldo. Pensaram o repertório, conceituaram o espetáculo, definiram que o formato seria totalmente acústico. Munidos somente de seus violões, Geraldo, Alceu, Elba e Zé entraram juntos pela primeira vez em cena no ginásio Machadinho em Natal. Duas horas e vinte anos de estrada depois, a música brasileira jamais seria a mesma. O show foi assistido por mais de dois milhões de espectadores em todo o país.

Em entrevista à Folha por e-mail, Geraldo Azevedo fala sobre a volta do grupo.

Quais são as principais mudanças deste Grande Encontro em relação aos anteriores?
Cada edição tem um formato diferente. Nesta quarta edição, a principal marca é que estamos com uma banda completa, composta por músicos maravilhosos: Paulo Rafael (guitarra), Marcos Arcanjo (guitarra e violão), Meninão (sanfona), Cesar Michilies (flauta e sax), Ney Conceição (baixo), Cassio Cunha (bateria) e Anjo Caldas (percussão).

O perfil do público que tem acompanhado os shows tem mudado desde a primeira edição do projeto?
Creio que não. Nossa plateia é bem diversa. "O Grande Encontro" faz música pra todas as idades e tribos.

Existe a possibilidade desta parceria gerar um álbum de músicas inéditas?
Não temos planos quanto a isso.

Você acha que acabou o preconceito em relação à música nordestina?
Acho que o preconceito é uma mal presente em toda a história da humanidade. Não sei se um dia irá acabar. Infelizmente sempre existirá. Mas em relação a música nordestina acredito que tenha diminuído bastante.

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