ALÇANDO VÔOS ALTOS
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de setembro de 2000
Mariana Trigo TV Press 
O tempo parece não passar para Andréa Veiga. Ela conserva a mesma beleza e o mesmo jeito infantis da época em que foi da primeira leva da dinastia de paquitas da Xuxa, há 17 anos, na extinta Manchete. Mas isso não quer dizer que a moça não quer crescer. Andréa, hoje com 31 anos, continua trabalhando ao lado da rainha dos baixinhos no Planeta Xuxa, mas agora busca vôos mais altos. Ela começa a se preparar para uma carreira internacional no jornalismo. Andréa está há seis meses na Universidade da Cidade, no Rio, onde cursa o segundo período de Comunicação Social. Quero apostar no jornalismo internacional e, quem sabe, virar âncora de um telejornal, arrisca, mordendo os lábios com ar de sapeca.
Andréa, no entanto, jura nunca ter pensado em ser repórter. Só depois de assumir o comando das matérias jornalísticas do programa Planeta Xuxa, na Globo, começou a pensar no assunto. Ela entra no ar, a cada programa, com duas matérias de dois minutos, em média. Entrei em um curso de inglês há seis meses. Estou me preparando para fazer matérias no exterior até o início do ano que vem, adianta.
Mesmo em meio a tanta disposição para mudar o status profissional, ela ainda apresenta o quadro Correndo Atrás do Prejuízo, onde pessoas endividadas mandam cartas ao programa provando que estão inadimplentes e são selecionadas para competirem em diversas provas de esforço físico. Mais uma das idéias de Marlene Mattos.
A idéia de virar correspondente também saiu da cabeça de Marlene, assim como a de fazer de Andréa uma paquita. Ela me disse que uma modelo chamada Xuxa iria estrear em um programa infantil e me perguntou seu eu queria fazer um teste, conta. Desde os tempos de Paquita, porém, muita coisa mudou. Andréa praticamente nasceu nos palcos, pois o pai, o diretor e autor teatral Pedro Veiga, a carregava para todas as peças em que trabalhava.
A convivência com o meio a contagiou a ponto de sair das coxias e começar a fazer teatro no Tablado, no Rio. Estreei na peça Platonov em 1980, dirigida pela própria Maria Clara Machado, lembra Andréa. A partir daí, a lourinha tomou gosto e percorreu por 20 anos pelos palcos e cenários cariocas até ser indicada ao Prêmio Mambembe de melhor atriz com a peça A Família do Cão, em 94, dirigida por Marcelo Saback, e ao Prêmio Coca-cola Jovem, também como melhor atriz, pela peça Band Age, em 96, sob a direção de Cininha de Paula.
Logo depois, em 98, Andréa foi convidada para integrar o elenco de Malhação. Sou uma batalhadora. Trabalho desde os 10 anos de idade, desabafa Andréa, acrescentando que o seu grande sonho é um programa próprio voltado ao público adolescente. Adoraria ser convidada para apresentar um programa no estilo da Babi, diz, se referindo ao Programa Livre, do SBT. No currículo da atriz, está a apresentação do programa infantil Pintando o 7, dirigido pela amiga íntima Fafy Siqueira, na Record, em 89. O programa rendeu um convite para Andréa posar para a Playboy. Fiz o nu muito cedo, só tinha 18 anos. Nem sabia como aproveitar a oportunidade, diz a repórter, entre risos.
Segundo Andréa, muitas oportunidades profissionais deixaram de render frutos quando ela se isolou em Brasília por quatro anos. Não me arrependo de ter casado e mudado, mas a minha carreira estagnou por quatro anos, lamenta a moça, que já pensou em desistir da carreira artística. Quando voltei para o Rio e encontrei portas fechadas, analisei a possibilidade de fazer veterinária e mudar de vida, justifica Andréa.
Novamente Marlene Mattos saiu dos bastidores e entrou em cena para socorrer a ex-paquita. Marlene me disse que sempre que eu precisar, terei um emprego ao lado dela, afirma a atriz, que atuou nos filmes de Xuxa Sonhos de Verão, em 90, e Requebra, ano passado. Além de comandar as matérias do Planeta Xuxa e investir na reportagem internacional, Andréa estréia no final do ano a peça Cyrano de Bergerac, no Rio, com texto de José Wilker e direção de Eduardo Martini.


