Álbuns de família
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2014
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
Além de eventos oficiais registrados em livros, artigos e reportagens, a trajetória de uma cidade também pode ser retratada por meio das memórias afetivas de seus moradores, ilustres ou anônimos. Reunindo fotografias de fatos que marcaram as vidas de muitos londrinenses, a exposição "Acervos Familiares Contam a História dos 80 Anos de Londrina" será aberta hoje, às 9 horas, no Museu Padre Carlos Weiss com uma apresentação da Banda de Metais e Percussão Arte & Vida, sob a coordenação do maestro Claudemir Trevisan e homenagens aos pioneiros da cidade do município. A mostra segue aberta para visitação gratuita até o dia 30 de novembro.
A exposição foi organizada pelo grupo virtual Londrina Memória Viva (LMV), que desde 2012 publica em uma página do Facebook fotografias cedidas pelos próprios membros. "Conseguimos reunir mais de três mil fotografias tiradas entre as décadas de 1950 e 1980. Quando anunciamos que estávamos organizando a exposição recebemos mais de mil fotografias que foram doadas ao acervo do Museu Histórico de Londrina. Com esse acervo inédito em mãos, uma comissão formada por seis pessoas, entre pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e integrantes do nosso grupo, selecionou as 31 fotografias que fazem parte da exposição. Um dos principais critérios de seleção foi buscar imagens de grupos sociais que contemplem todas as regiões da cidade", afirma a musicista Hylea Ferraz, uma das organizadoras da exposição.
Uma das doadoras de acervo é a bancária aposentada Rosana de Paula. "Fiquei sabendo da exposição e decidi doar várias fotos que fazem parte de álbuns guardados pelos meus pais, Maria Sebastiana Luciano e João Honorato Matias. Meu pai era muito popular em Londrina. Ele trabalhava como artista de circo e ficou conhecido como "Tarzan Paraquedista", um dos precursores da luta livre no País. Quando o circo em que trabalhava passou por Belo Horizonte, ele conheceu minha mãe. Os dois se mudaram para Londrina, em 1955, onde tiveram três filhos, cinco netos e cinco bisnetos. Aqui, ele viveu até a sua morte, em 1991, aos 68 anos", conta.
Entre as imagens doadas por Rosana para a exposição, o pai aparece fotografado em uma festa de Carnaval da década de 1950, que aconteceu na Avenida Paraná, e também na piscina do Mococa, concorrido clube da cidade da mesma época, localizado na zona sul. Outro espaço de lazer bastante frequentando pelos londrinenses era a Associação de Recreação Operários de Londrina. O clube também faz parte da mostra nas fotografias cedidas pelo advogado Oscar do Nascimento.
"Essa associação funcionou entre 1957 e 1966, na Vila Nova, e era frequentado pela comunidade negra de Londrina. Lá aconteceram os primeiros bailes de Carnaval da cidade e vários eventos como conferências, bailes de casamento e outras festividades que registrei em fotos que estavam guardadas até então", lembra Nascimento. Ele destaca a importância da exposição. "Acho muito válida essa iniciativa de lembrar e tornar públicas histórias que ainda não foram contadas sobre Londrina", enfatiza.
Doadora de um acervo pessoal com mais de 200 fotografias, Eresvita Bettoni Bortolotti também se entusiasmou com a iniciativa do grupo LMV. "Meu pai, o pioneiro Nilo Bettoni, chegou em Londrina em 1936 e, como sempre gostou de fotografar, tem diversos registros da cidade desde o fim da década de 1940. Ele ajudou a construir e fotografou todas as etapas da edificação do Santuário Schöenstatt, localizado no Colégio Mãe de Deus, onde eu e minhas seis irmãs estudamos e que serve de cenário para várias das fotos doadas. Também doei fotografias de desfiles de 7 de setembro e outros eventos daquele período", revela.
Após o dia 30 de novembro a exposição "Acervos Familiares Contam a História dos 80 Anos de Londrina" segue para o saguão da Prefeitura de Londrina e depois para o prédio da Biblioteca Municipal da cidade. "As fotografias serão trocadas a cada novo espaço que é para que outras imagens doadas também possam ser mostradas", afirma a organizadora da mostra, Hylea Ferraz.
O evento é uma promoção do grupo Londrina Memória Viva (LMV), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Museu Histórico de Londrina e Associação dos Amigos do Museu Histórico (Asam) e conta com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
SERVIÇO
Exposição Acervos Familiares Contam a História dos 80 Anos de Londrina
Quando de hoje a 30 de novembro, de terça a sexta-feira, das 9h às 11h30 e das 14h às 17h30
Onde - Museu Padre Carlos Weiss (R. Benjamin Constant, 900)
Quanto Gratuito


