O Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga lançará, até o final do ano, um CD com composições religiosas inéditas e recentemente restauradas, de autoria atribuída a dois compositores mineiros descendentes de negros. Amanhã será realizada a sessão de gravação de ‘‘Ladainha em Fᒒ, de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746?-1805), no teatro do Centro Cultural Pró-Música, com o coral e a orquestra do próprio centro, em Juiz de Fora (MG).
Durante o festival deste ano, realizado em julho na cidade mineira, professores e alunos das oficinas gravaram a outra faixa do CD, ‘‘Matinas para a Assumpção de Nossa Senhora’’, obra do século 18 atribuída a Manoel Dias de Oliveira (1735-1813). Acredita-se que ambos foram descendentes de escravos, por causa dos registros que se tem sobre eles. Oliveira foi sepultado na capela de São João Evangelista dos Homens Pardos, na vila de São José do Rio das Mortes (hoje, Tiradentes/MG). Mesquita, considerado o maior compositor de música colonial de Minas, era filho de um português e de sua escrava, segundo o historiador Geraldo Dutra de Morais.
As duas composições foram feitas para a execução durante celebrações católicas. As ‘‘Matinas...’’ acompanham versos cantados no início das comemorações da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto). Segundo o musicólogo Sérgio Dias, os manuscritos utilizados na restauração das ‘‘Matinas...’’ não trazem data, mas possivelmente são do início do século 19. Ele disse acreditar que se trata de uma obra de Oliveira por causa de suas características formais.

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