Álbum recupera gravações de Johnny Alf
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quarta-feira, 08 de setembro de 2010
Marcus Preto<br> Folhapress 
Em seus últimos 15 anos, o cantor, compositor e pianista Johnny Alf (1929-2010) viveu de dinheiro obtido em shows intimistas, feitos sobretudo em pequenos clubes de jazz e no circuito paulista do Sesc. Para um público quase sempre restrito, Johnny fazia o diabo. Recriava as próprias canções, desconstruía repertório alheio, mostrava material inédito, promovia jam sessions com convidados, de Cauby Peixoto a Ed Motta.
Ao menos 20 dessas apresentações foram gravadas em áudio, então sem maiores pretensões, pelo empresário do artista, Nelson Valencia. O material está em fase de tratamento e, ainda neste ano, chega ao público dentro de uma caixa, a ser lançada pela gravadora Lua Music. Sob os cuidados do produtor Thiago Marques Luiz (que dirigiu álbuns recentes de Wanderléa e do próprio Cauby), o projeto inclui mais dois discos. Um é dedicado aos sucessos de Johnny. Outro, às canções obscuras.
Estão recrutados para o álbum de hits - se é que a palavra ''hit'' cabe a compositor tão sofisticado - artistas que compartilham do mesmo universo artístico. ''Não tem nenhum gaiato no disco'', diz Thiago. ''Só convidamos gente que gostava dele, e de quem sabíamos que ele também gostava.''
Estão na lista Joyce (cantando ''Fim de Semana em Eldorado''), Toquinho (''Rapaz de Bem''), Leny Andrade (''O que É Amar''), Claudette Soares (''Gesto Final''), Emílio Santiago (''Nós''), Zé Renato (''Céu e Mar'') e Wanderléa (''Ilusão à Toa'').
O álbum com os temas desconhecidos de Johnny é projeto pessoal de Alaíde Costa - a intérprete predileta do compositor, segundo o próprio chegou a declarar. Já totalmente gravado, o disco dela inclui canções como ''Escuta'', ''Como Dois Corações e meu Sonho'' e ''Tema da Cidade Longe''.
Também está programado para este ano o lançamento de uma biografia de Johnny Alf dentro da Série Aplauso, da Imprensa Oficial. O livro foi escrito pelo jornalista e pesquisador João Carlos Rodrigues e se apoia em entrevistas com músicos, produtores e amigos do artista desde a adolescência, além de um depoimento de uma hora e meia colhido do próprio Johnny.
Para Rodrigues, o mais importante a ressaltar é que, apesar do final um tanto solitário, o artista não se encaixa no hall dos ''injustiçados''. ''Tudo o que ele fez foi porque quis. Até 60 e poucos anos, ele bebia muito, era agressivo, faltava aos compromissos. Foi quase um Tim Maia da bossa nova'', compara Rodrigues. ''Quando parou de beber, se tornou uma pessoa muito fechada.''


