O tributo ao cantor, morto há quase cinco anos, traz versões em MPB, bossa nova e jazz na voz de músicos ilustres
O tributo ao cantor, morto há quase cinco anos, traz versões em MPB, bossa nova e jazz na voz de músicos ilustres | Foto: Shutterstock



São Paulo - O cantor carioca Tárcio, 42, uniu músicos como João Donato e Roberto Menescal para gravar o disco "Brasileiríssimo - Para Emílio Santiago", disponível de graça nas plataformas digitais. O tributo ao cantor, morto há quase cinco anos, traz versões em MPB, bossa nova e jazz de canções gravadas por Santiago.

O álbum é ainda a homenagem de um amigo, já que Tárcio conviveu por anos com Santiago. "Ele estudou com o meu pai na faculdade de direito, então, ele me conheceu na barriga da minha mãe, na verdade. Quando eu comecei a cantar, ele começou a frequentar os meus shows e ficamos muito amigos. Trocávamos ideias sobre o que a gente estava ouvindo ou lendo", conta Tárcio.

A celebração dessa amizade era para ter sido transformada em álbum há muito tempo. "(Em 2012,) quando faria 25 anos do primeiro disco do projeto 'Aquarela Brasileira', criado por Roberto Menescal, eu pensei em usar a data para fazer um álbum e celebrar o projeto, que foi um sucesso", lembra Tárcio, citando a coleção em que Santiago fez uma seleção de clássicos nacionais.

"Ele chegou a se envolver nesse disco. Ajudou na escolha do repertório e na gravação", lembra ele. Próximo à data de lançamento do álbum, no entanto, Santiago morreu, e Tárcio decidiu engavetar o trabalho. "Eu estava triste e não queria mais ouvir falar no projeto." Três anos depois, decidiu retomar a ideia com Menescal. "Como virou uma homenagem, decidimos fazer arranjos bem diferentes, com a minha identidade e com o cuidado de não comprometer a qualidade da canção original."

RETRATO DE EMÍLIO
Para selecionar o repertório de "Brasileiríssimo - Para Emílio Santiago", o cantor Tárcio pensou no que Emílio Santiago escolheria.

"Claro que algumas músicas não poderiam ficar de fora, como 'Saygon' e 'Logo Agora', composta por Jorge Aragão, que transformamos em uma bossa nova. Eu queria, ainda, incluir as canções menos conhecidas, mas de que ele gostava muito", conta Tárcio. Entre elas, cita "Ser, Fazer e Acontecer", gravada por Santiago em seu disco "Um Sorriso nos Lábios" (2001), dedicado a Gonzaguinha (1945-1991).

"A canção 'Canto de Ossanha', de Vinicius de Moraes e Baden Powell, de que ele gostava muito, eu gravei com o filho de Powell, o Marcel, acompanhado de Gabriel de Aquino e Robertinho Silva."
Para o cantor e amigo, Santiago deixou um legado. "Ele é o tipo de intérprete que se tornava parceiro de uma música após interpretá-la, porque ele se apropriava da canção", diz.

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