Alberto Tassinari disseca a modernidade
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domingo, 24 de junho de 2001
Fabio Cypriano Agência Folha 
Cansado de ouvir generalizações como a pintura morreu, a arte acabou, o crítico de arte Alberto Tassinari acaba de lançar, em São Paulo, um desabafo. Com o livro O Espaço Moderno, versão de sua tese de doutorado defendida em 1997, na USP, o autor busca esclarecer questões que pontuam as artes plásticas atualmente. É uma obra sobre teoria da arte, e não sua história, conta Tassinari à reportagem.
Didático, o crítico trabalha com conceitos que esmiuçam a arte moderna e dão uma ordenação a ela. Às vezes me pergunto se esse desejo de ordenação reflete a realidade, brinca. Entre as definições criadas, está a divisão do período moderno em duas fases: formação e desdobramento. A primeira compreende todo o movimento inicial, especialmente a partir de 1870, com as vanguardas que romperam com os modelos naturalistas de representação.
Já a fase de desdobramento, que tem início, para o autor, com a obra Tela (1956), de Jasper Johns, é a sedimentação da arte moderna propriamente dita, com conceitos próprios, e não como oposição. Assim, o autor rejeita o termo pós-moderno. O chamado período pós-moderno é o moderno por excelência; o que veio antes ainda tinha um compromisso com a arte naturalista, diz.
Na fase de desdobramento, o fundamental é a transparência do processo artístico. A colagem seria o melhor conceito para explicá-la, mas ela ficou muito ligada a um período, especialmente o cubismo. Por isso, no lugar de usar a palavra colagem, o autor prefere usar espaço em obra. O termo visa criar um conceito genérico presente em qualquer obra moderna: o traço do artista, o sinal do fazer. A própria tela, na fase contemporânea, é um sinal da própria obra, ela é um utensílio, um plano, exemplifica Tassinari.
No texto, pintura e escultura são as fontes principais de análise. Se Jasper Johns é o pintor decisivo para a fase de desdobramento, seu correlato na escultura é o norte-americano Richard Serra, que acaba de ganhar o Leão de Ouro, em Veneza. Ponto para a tese de Tassinari.
O que está em crise não é a arte, mas os conceitos sobre ela. O que acabou foi o naturalismo. A pintura e a escultura continuarão sendo feitas por muito tempo, aposta o crítico.


