Alberto da Veiga Guignard é principal atração em leilão
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 01 (AE) - O pintor fluminense Alberto da Veiga Guignard foi a grande estrela do leilão da Bolsa de Artes, que aconteceu na noite de ontem (31), no Copacabana Palace, no Rio. Mas o quadro mais disputado da noite não foi o Vaso de Flores, de autoria dele, a peça mais importante do pregão, e sim Festa na Roça, outra obra dele. Foi vendido, sob aplausos, por R$ 430 5 mil (os R$ 410 mil do maior lance, mais 5% de comissão), mais que o dobro do preço máximo de avaliação, que estava entre R$ 180 mil e R$ 200 mil.
"Acho que o público veio preparado para disputar esse quadro porque é um dos melhores exemplos de paisagem de Guignard
enquanto o Vaso, mesmo sendo de uma fase excelente, não é uma obra prima como a Festa na Roça", explicou o diretor-presidente da Bolsa de Artes, Jones Bergamin.
"De um modo geral, este leilão foi bem melhor que o primeiro deste ano, realizado em abril, não só porque as peças eram melhores, mas porque o mercado está reaquecido." Mesmo assim, o Vaso de Flores de Guignard chegou perto do valor máximo de avaliação, que era R$ 700 mil. Foi comprado por R$ 703,5 mil (lance de R$ 670 mil mais 5%) por um colecionador paulista que não quis se identificar. A aquarela de Debret, Chefe dos Borenos Conduzindo sua Tropa, apesar de rara em leilões, também não passou o preço de avaliação, entre R$ 70 mil e R$ 90 mil, pois acabou tendo lance máximo de R$ 86 mil. "É difícil aparecer um Debret no mercado porque as maiores coleções pertencem a instituições públicas", esclareceu Bergamin.
Das 150 peças do leilão, poucas ficaram acima do preço máximo de avaliação porque, segundo um colecionador que não quis se identificar, "eles já colocam o valor lá em cima para os possíveis compradores começarem com lances altos." O colecionador levou o óleo sobre tela Mulher, de Burle Marx, com um lance de R$ 17 mil, quando a avaliação era entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Mesmo a água forte de Picasso, La Chvre, e os dois desenhos de Diego de Rivera, intitulados Campesinos, não passaram a avaliação, que estava em torno de R$ 8 mil. Segundo Bergamin, a maior parte dos compradores era de São Paulo, uma tendência que vem se mantendo há muitos anos.
O próximo leilão da Bolsa de Artes, o terceiro e último do ano, acontecerá em dezembro e Bergamin acredita que, até lá, o mercado continuará aquecido como agora. "Pelo que tenho visto em feiras e outros leilões, a situação melhorou do início do ano para cá", disse.


