Alaúde, um instrumento versátil
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de outubro de 2001
Zeca Corrêa Leite<br> De Curitiba 
O alaúde, pelos estudos feitos sobre o instrumento, provavelmente teve origem entre os persas. É um instrumento tribal. Calcula-se que tenha cerca de oito mil anos. É um instrumento que não se prende a uma religião, tanto é verdade que é citado nos salmos de Davi, na Bíblia.
Jorge Khoury toca alaúde há quase 25 anos. Desenvolveu uma técnica que permite a ele tocar quase todos os gêneros. Mais que isso: ao mesmo tempo em que faz solo, cria um som de acompanhamento, como se tivessem mais de um instrumento em ação. É raro encontrar quem faça isso, mas tem. Inicialmente o repertório era de música medieval; mas descobriu que as canções antigas têm origem árabe - ou influência árabe, especialmente na Espanha, devido à invasão destes sobre os espanhóis.
''O alaúde foi proibido na Europa porque ele representava a cultura muçulmana'', pensava a Igreja Católica nos tempos medievais, mas era uma besteira. ''Isso é ignorância'', segundo Ibrahim. Os padres tomavam o instrumento como sendo objeto religioso. Nada a ver. ''O alaúde não pertence a religião alguma''.
Segundo o instrumentista, é ''fantástico'' poder tocar música antiga ou jazz com um instrumento de oito mil anos. ''É bonito isso. Pego uma afinação e sem mudar nada toco 'Asa Branca'''. Sobre a música ele diz: ''Sinto que ela foi feita para esse instrumento''.
Jorge diz que o grupo musical tem um público cativo. É que o Brasil ''é o país mais aberto para a cultura mundial'', sem, contudo, ser dominado por ela. O país aceita as demais culturas, divide seu espaço mas mantém sua individualidade. Ele diz ainda que através da música pode-se conhecer os povos. ''Se não tem música no mundo, não tem paz''.


