São Paulo, 09 (AE) - "Dogma" é o filme que despertou a fúria de algumas ligas católicas ao redor do mundo. A explicação estaria na interpretação muito pessoal que o diretor deu à conhecida mitologia cristã. Mas poderia ser também um protesto pela escolha de Alanis Morissette para interpretar o tema musical principal, Still. Ainda por cima lhe deram o papel de Deus, duplo "sacrilégio"! A trilha de "Dogma" tem música original composta e regida por Howard Shore, com a participação de integrantes da London Philharmonic Orchestra, do grupo vocal The London Voices e de aspirantes do The Centre for Young Musicians. Só o tema principal é cantado por Alanis Morissette. O resto é sinfônico.
O filme mostra versões modernas para o mito da concepção de Maria e vê a corporificação de Deus como uma mulher. A trilha é um amontoado de subprodutos com os clichês mais conhecidos desse tipo de atualização. Dogma e Behold the Metraton, as faixas que abrem, são exemplos disso, crescendos orquestrais tolos e fáceis. Mas o contraponto do coral do The London Voices e o arranjo tipo "noviça rebelde" da canção Mooby the Golden Calf é um sinal de bom-humor na trilha.
The Golgothan volta aos clichês. The Last Scion, a mesma coisa: a referência de Cecil B. de Mille ainda é muito forte, apesar das intenções dessacralizantes da fita. De qualquer forma
temas como Bartleby & Loki e Stygian Triplets mostra que os católicos estão errados em julgar mal o filme. Pela trilha, pode-se notar que o diretor é um crente.