Você tem acompanhado a música brasileira recente? Que artistas você destacaria da nova geração?
Eu não estou muito a par do que acontece aqui. Mas tenho minhas preferências: gosto muito de Milton Nascimento e de Chico Buarque. Mas o que tenho notado nos últimos anos é que surgiu um novo tipo de música no país, mais voltado para a dança, para dar alegria ao povo. Gosto do pagode, do maracatu, do sambão. Isso é música brasileira. Brasil é um dos países mais ricos em termos de diversidade musical, isso se não for o mais rico do mundo. Há tantos músicos talentosos aqui quanto jogadores de futebol.

Você está envolvido em algum projeto novo de gravação de disco?
Estou gravando um novo disco, que devo terminar no começo de 2003 e lançar em maio. O estilo vai ser o mesmo, que é música brasileira com toques de jazz e música criativa. Minha filha, Diana Moreira, vai participar. Ela compõe e canta muito bem.

Passa pela sua cabeça, hoje, em retornar em definitivo ao Brasil?
Por enquanto, pretendo continuar por aí, já que estou sempre viajando pelo mundo. Mas nada me impede de voltar e passar o resto dos meus dias por aqui. Hoje eu tenho essa liberdade. Por outro lado, sou professor da UCLA e assumi algumas responsabilidades que antes eu evitava. Passei muitos anos fechado em mim mesmo, querendo apenas tocar sem ter compromisso algum de passar minha experiência para as pessoas. Hoje quero viajar e comunicar coisas positivas para o público.

Você faz parte da Federação Espírita Brasileira em Los Angeles. Que influências essa relação exerce sobre a sua criação musical?
Eu tive contato com o espiritismo através de meu pai (José). Eu cresci vendo ele curar as pessoas. Ele não sabia ler nem escrever, mas às vezes eu o via escrevendo receitas como um médico. Aquilo me deixava intrigado. E ele dizia: um dia você vai entender. Hoje faço parte de um grupo espírita em Los Angeles. No caso da música, percebi que ela tem ligação com a energia universal, primitiva. A gente está no meio dessa energia, mas muitos não pensam nisso, não pensam em aproveitar essa energia para se sentir melhor e fazer os outros se sentirem melhores. O músico automaticamente canaliza essa energia, que sai para fora em forma de som, em forma de música. Quando o público a recebe, fica num estado de especial de êxtase, num estado de elevação espiritual que não é o corriqueiro do dia-a-dia. E é isso que faz o povo gostar tanto de música. Na verdade, a gente empresta essa energia de Deus. Um dia, teremos que devolvê-la.


Serviço:
2 Mostra de Percussão de Londrina. Local: Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240)
Hoje: workshow com Airto Moreira. Horário: 20h30.
Amanhã: workshop com Caíto Marcondes. Horário: 14h30. Show com Caíto Marcondes e Lula Alencar (piano e acordeon). Horário: 20h30.
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes e idosos acima de 65 anos).

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