O duo Air foi o Zidane do pop francês em 98. Ao lançar o álbum ‘‘Moon Safari’’, maravilhou o mundo com suas composições retrô-futuristas chegando a vender 2 milhões de cópias impulsionadas pelo hit dançante ‘‘Sexy Boy’’.
Não se pode dizer o mesmo três anos depois. ‘‘10 000HZ Legend’’ (Virgin), o novo disco de Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel, troca a suavidade instrumental explorada em seu trabalho de estréia por um repertório aguado de canções convencionais. Entre um CD e outro, ainda produziram a trilha sonora do filme ‘‘Virgens Suicidas’’, o belo longa de Sofia Coppola.
No novo disco, as exceções ficam por conta da tristonha ‘‘Sex Born Poison’’ e da desconcertante ‘‘Don’t Be Light’’. Beck, que já havia mixado uma música do primeiro disco, participa desta última faixa e também de ‘‘The Vagabond’’ sem provocar grandes comoções. Em ‘‘Radian’’, os rapazes remontam à sonoridade espacial dos primórdios inserindo flauta e harpa nos arranjos. Imagina-se que seja uma sobra de antigas sessões no estúdio.
Na nova fase, a dupla recorre com menos discrição às experiências acústicas, embora continue adotando à exaustão o vocoder (efeito que distorce o timbre de voz), já uma marca registrada. Como Zidane, o Air empolgou no ano da última Copa. Hoje coloca seus fãs em dúvida, parecendo Rivaldo com a camisa verde-amarela.

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