Ainda pesados, mas mais limpos
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Fabiano Camargo Sucursal de Curitiba 
DivulgaçãoNovo CD da D.F.C.: velocidade e adrenalinaUm dos melhores representantes brasileiros do gênero hardcore-punk-rock-podreira, a banda D.F.C., de Brasília, está lançando seu segundo CD, Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo. Muita velocidade, peso e adrenalina integram o repertório do sexteto neste álbum, editado pelo selo Sonya Music e prensado com uma qualidade técnica anos luz superior ao disco de estréia, que era sujo ao extremo.
Em algumas faixas, a objetividade punk é levada ao extremo. Possuído Pelo Cão, por exemplo, não gasta mais que 30 segundos para contar a história de um fraticida lunático. Vou Carcá e Carquei são ainda mais econômicas: cada uma tem três segundos.
Deixando de lado brincadeiras como estas, a banda promove grandes momentos de quebração sonora, como em Censura, que abre o disco, Lucro É o Fim, recheada com solos precisos e Desmanche Autorizado de Crianças Brasileiras, um alerta quanto ao tráfico de órgãos.
No segmento mais pesado do disco, também merecem destaque The Last Song, que inicia com climas quase industriais e é entrecortada por riffs metálicos de primeira, e Franchising, uma esculhambação em cima da igreja do Bispo Edir Macedo (diz o refrão: O mal de sua vida agora irá se acabar / Tudo então melhora na mentira universal / Tenha um franchising da Universal de Deus).
O peso e a objetividade abrem espaço para muito groove em outros dois bons momentos do CD, Cerol Na Venta e Face The Reality (a única escrita em inglês). Uma versão para Sistema de Protesto, dos Ratos de Porão, ainda integra os melhores momentos do disco, uma boa pedida para os partidários do hardcore e punk rock com sotaque brasileiro.


