Em tempos de crise na indústria fonográfica, mesmo os artistas mais consagrados estão cortando um dobrado para viver apenas de shows. Não é o caso de Ney Matogrosso, que apresenta hoje, no Guairão, seu mais recente espetáculo, ''Beijo Bandido''. ''Minha meta sempre foi o palco, então isso não é novidade para mim. Pelo contrário, é a minha realidade há muito anos'', garante o cantor de 68 anos, em entrevista à reportagem da FOLHA.
Para Ney, muitos de seus contemporâneos confiaram demais na vendagem de discos e acabaram ''se deitando nos louros''. Ele, no entanto, continua percorrendo o caminho inverso do que manda o mercado, como comprova a concepção de ''Beijo Bandido''. Em vez de seguir a estratégia de gravar um CD e, em seguida, cair na estrada, o artista fez justamente o oposto. A exemplo do que aconteceu em seu projeto anterior (''Inclassificáveis''), o show veio antes do álbum, para que as músicas já estivessem devidamente lapidadas na hora de entrar em estúdio.
''Dessa forma, a minha compreensão do repertório fica muito mais completa quando vou gravar'', explica o artista, que desta vez optou por uma combinação de composições aparentemente desconexas. A lista de canções vai do pop (''Nada por Mim'', de Herbert Vianna e Paula Toller) ao som regionalista (''Bicho de Sete Cabeças'', de Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha), passando pela MPB clássica (''A Bela e a Fera'', de Chico Buarque e Edu Lobo'') e o tango (''As Ilhas'', de Astor Piazolla e Geraldo Carneiro).
A unidade desse material, ele explica, vem da temática romântica que permeia todas as músicas e de suas interpretações assumidamente teatrais. ''O foco deste show é a palavra. São as ênfases e acentos que eu dou a elas'', diz o cantor, agora acompanhado apenas por uma formação de piano, violino, violoncelo e percussão. ''É um dos espetáculos mais difíceis que já fiz. Como não tenho uma 'bandona' por trás, minha voz fica muito exposta'', admite.
Seguindo as próprias regras, Ney só pretende lançar o DVD de ''Beijo Bandido'' no segundo semestre. Enquanto isso, mantém a rotina de pesquisar, incessantemente, o trabalho dos novos e antigos compositores. ''Já estou ouvindo muita coisa, independentemente de ter um propósito. Vou separando e guardando até que, um dia, resolvo organizar essas músicas num roteiro''.
SERVIÇO
- Beijo Bandido, show com Ney Matogrosso
Onde - Guairão, em Curitiba
Quando - Hoje, 21h
Quanto - R$ 140 (plateia), R$ (100 primeiro balcão), R$ 70 (segundo balcão)

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