Quem amou os Beatles e os Rolling Stones nos anos 60, provavelmente cantou algum dos inúmeros sucessos dos Incríveis, uma das bandas brasileiras mais populares na época. Quatro décadas depois, o grupo continua em atividade liderado pelo baterista Netinho, único remanescente da formação original. Amanhã, ele e seus três asseclas chegam a Londrina como a principal atração do ''Baile dos Anos 60'', promovido pelo Iate Clube.
A festa começa às 22 horas com animação da Perfil Banda Show, de Sorocaba (SP), que abre e fecha a noitada. Os Incríveis sobem ao palco para executar hits como ''Era um Garoto que Amava os Beatles e os Rolling Stones'', ''O Milionário'', ''Israel'', ''Marcas do que se Foi'' e ''Czardas''. Talvez cantem ''Eu Te Amo Meu Brasil'', cuja gravação estigmatizou o grupo como capacho da ditadura militar.
O disco com a música foi lançado em 1970, quando o País vivia um falso ''milagre econômico'' e o apogeu da repressão política aos opositores do regime. Os ativistas e intelectuais nunca os perdoaram. Os fãs, todavia, continuaram fiéis lotando clubes e cinemas. Mas, insatisfeitos com as críticas e com as gravadoras, os músicos decidiram extinguir a banda e seguir carreiras-solo.
Reencontraram-se em 1990 pegando carona nas comemorações dos 35 anos da Jovem Guarda. De lá para cá, o núcleo original se dispersou. Sobrou Netinho, que incorporou o filho Sandro Haick aos Incríveis, que conta ainda com Leandro W e Willian Teixeira.



Qual é a formação dos Incríveis que vem a Londrina?

Netinho -Sou o único da formação original. Mas a formação que vai a Londrina é a mesma dos últimos 15 anos, desde 1990 quando decidimos voltar a tocar motivados pela comemoração dos 35 anos da Jovem Guarda. Na ocasião, o meu filho Sandro voltou comigo, embora ele desde molequinho já tocasse com a gente. Ele é muito importante para o grupo. Aliás, sem ele eu nem voltava com a banda. Ele toca tudo: piano, guitarra, baixo e bateria. É um grande músico e um grande produtor. Já tocou com gente como o Hermeto Pascoal e o Dominguinhos. No final dos shows, faço um número com ele, com duas baterias.



Você ainda tem contatos com os antigos Incríveis?

Só tenho contato com o Nenê, por causa do The Originals, em que tocamos ao lado de músicos dos Fevers e do Renato & Seus Blue Caps. Aliás, o próximo show do The Originals será o último que vou fazer com eles.



Por quê?

Não curto mais ficar tocando só sucessos. Preciso de algo que me faça desenvolver como músico. É o que acontece nos Incríveis, uma banda que sempre teve como característica contar com bons músicos. Os Incríveis não era uma banda de disco, mas de show. Corremos o mundo três vezes. A gravadora é que fazia a gente gravar versões para fazer sucesso. Vou deixar os Originals, apesar do grupo ter gravado 2 DVDs e ter sido convidado para tocar ao vivo em alguns capítulos da novela 'O Profeta' (que estréia na próxima segunda-feira na Rede Globo).



Você disse que tem contato com o Nenê. E os outros?

Perdi o contato. O Mingo morreu em 1993, o Manito não vejo há muito tempo e o Risonho parou de tocar há muitos anos.



Por que vocês decidiram acabar a banda em 1972, no auge do sucesso?

Paramos porque estávamos insatisfeitos. O mundo estava mudando, tinha surgido um novo ciclo de bandas novas, como o Yes e o Pink Floyd. Queríamos acompanhar essas mudanças, mas as gravadoras não deixavam. Outra coisa que aconteceu na época que nos aborreceu foi o episódio da gravação da música 'Eu Te Amo Meu Brasil'', que gravamos para comemorar a Copa do Mundo. Só que os políticos se apropriaram dela e os jornalistas entenderam outra coisa. E não tinha nada a ver porque éramos apolíticos, nossa preocupação era apenas musical. A música nem era nossa, era do Dom (da dupla Dom e Ravel), éramos apenas os intérpretes. Sofremos pressão e decidimos acabar tudo.



Como eram as turnês mundiais naquela época?

Começamos em 1963 com uma grande turnê pela Europa acompanhando a cantora italiana Rita Pavone. Em 1964, ficamos 1 ano na Argentina onde gravamos discos em castelhano. Em 1966, fizemos outra turnê pela Europa onde realizamos o filme 'Os Incríveis neste Mundo Louco''. E em 1968, fomos para o Japão em outra grande excursão, algo que era inimaginável para artistas brasileiros numa época em que nem havia televisão a cores no País.



E, hoje em dia, como está a agenda da banda?

Hoje fazemos shows em todo o Brasil, tocando para públicos variados, ao ar livre para 30 a 40 mil pessoas ou para platéias adultas em lugares fechados.



A banda tem algum projeto de gravar um novo disco de inéditas?

Com os Incríveis, não, porque os fãs do grupo querem só ouvir os velhos sucessos do passado. Mas eu tenho dois projetos-solo: a gravação de um novo disco com a Casa das Máquinas (banda criada por Netinho em 1972) e a gravação de um DVD em que eu e o Sandro tocamos para uma marca de bateria alemã. Pretendo também publicar um livro sobre a minha história.


Serviço:

- Amanhã: Baile dos Anos 60 com show dos Incríveis. Horário: 22 horas. Local: Iate Clube de Londrina (Av. Higienópolis, 2.135, tel. 43/3324-6300). Ingressos: R$ 15,00 (para sócios) e R$ 25,00 (não-sócio).

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