Daniel Castro, Cristina Grillo e
Isabel Clemente - Agência Folha
Para 2000, Paulo Sérgio Almeida, diretor da Filme B Comunicações (empresa de consultoria), prevê um número menor de lançamentos (em torno de 25 filmes) e uma possível queda na participação em relação aos estrangeiros. A maioria dos lançamentos é fruto do ‘‘boom financeiro’’ de 97. José Carlos Avelar, da Rio Filme (que distribui a maioria dos filmes nacionais), acredita que a ‘‘grande captação de recursos nos anos anteriores’’ poderá manter aquecida a produção de novos filmes em 2000. Como poucos filmes nacionais dão lucro, os investimentos só são atraentes para empresas que pagam muito Imposto de Renda.
O mau uso da Lei do Audiovisual – mecanismo que permite investir até 3% do Imposto de Renda devido na produção cinematográfica – com projetos que não saem do papel e cineastas que não prestam contas da utilização dos recursos, é que precisa ser evitado. Soma-se à enxurrada de projetos a crise econômica, que levou a uma retração dos investidores neste ano. Também pesa a ansiedade das empresas diante do retorno mais demorado do marketing cultural de um filme.
Cinema leva-se 48 meses para produzir e 48 horas para mostrar se valeu a pena, pois o filme é lançado na sexta, e, no domingo, já se sabe se vai dar certo ou não. Talvez por esse mesmo motivo as empresas estejam reduzindo a cota que direcionam para um único projeto. Em 1997 e 1996, algumas empresas chegavam a colocar R$ 1 milhão num único filme usando a Lei do Audiovisual. Hoje, os produtores consideram exceção um investimento de R$ 500 mil. A tendência é reduzir o lote.
Mesmo somando-se os recursos obtidos pela Lei Rouanet para produções cinematográficas ao total captado pela Lei do Audiovisual, a queda se mantém. Depois de captar R$ 112,1 milhões em 97, os produtores nacionais só conseguiram arrecadar R$ 70,9 milhões em 98. Os esperados efeitos em cascata da indicação de ‘‘Central do Brasil’’ ao Oscar não se confirmaram.
É bom lembrar que, pela Lei do Audiovisual, os produtores têm até três anos para completar a captação de recursos no mercado. A captação num ano reflete, e muito, projetos que já estão circulando há mais tempo.
Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão que fiscaliza o
mercado financeiro, até hoje 106 projetos (entre filmes, documentários e programas para TV) tinham sido aprovados em 99. Esses projetos pretendem arrecadar, via Lei do Audiovisual, R$ 140,6 milhões.

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