Só de pensar em preguiça, a preguiça aparece. O corpo se esparrama pelo sofá como geléia. Parece até que alguém passou cola no sofá. E levantar para fazer tarefa de escola é missão para super-herói.
Se gente sente preguiça, imagine a própria preguiça, aquele bicho dorminhoco que faz tudo lentamente, bem devagar. Dois dias para jogar papel de bala no lixo, três dias para escovar os dentes, três dias para tomar banho, e assim por diante.
Mas, assim como as pessoas não são todas iguais, as preguiças também não. Esse era o caso da pequena Espoleta, uma preguicinha diferente das outras. Na escola, ela era rejeitada por atrapalhar o sono de toda a sala de aula. Em vez de tirar uma soneca durante as aulas, ela preferia estudar matemática.
A história de Espoleta é narrada em ''Vitória da Preguiça'', obra infantil da escritora norte-americana Helen Lester. Publicada pela Editora Ática com belas ilustrações de Lynn Munsinger, mostra com bom humor que as particularidades de cada um não precisam ser um fator de exclusão. Pelo contrário, podem ser um fator de inclusão.
''Vitória da Preguiça'' apresenta o dia-a-dia de uma escola de preguiças. Uma escola que muito gente pediu a Deus, onde não há nada para fazer. As lições se resumem em bocejar, roncar, dormir do lado direito, dormir com o livro na cara, etc. A ''preguiçaria'' era tanta que, para irem para casa, os alunos precisavam ser varridos para fora da escola pelo zelador.
A exceção da turma era Espoleta que, diante do marasmo geral, era colocada de escanteio, rejeitada como a chata da escola. Mas tudo muda de figura quando surge um Javali, representante da ''Associação da Chatice Organizada'', com a intenção de fechar a escola das preguiças diante do péssimo desempenho de seus alunos.
Atordoadas de sono, as preguiças não conseguem entender a situação que necessita resolução. Então Espoleta entra em ação para resolver o problema. Ou seja, aquela que era discriminada, a chata da turma, acaba salvando a escola.
Por ser uma espécie de fábula, ''Vitória da Preguiça'' pode levar a uma leitura aberta. Ou seja, não é difícil imaginar uma escola de esquilos agitados e lá, no fundo da sala, um esquilinho bem devagar, lento e contemplativo, isolado no canto. Diante de tanta confusão e velocidade, talvez o bichinho tenha uma visão das coisas que os outros nunca imaginaram.
E essa visão pode ajudar no entendimento de muitas coisas. Entre elas, por exemplo, o fato de que a preguiça não leva em consideração a selvageria da competição, que sempre tem o poder de exclusão.
SERVIÇO:
''Vitória da Preguiça'' de Helen Lester, ilustrações de Lynn Munsinger, Editora Ática, tradução de Luciano Machado, 32 páginas, R$ 13,90.

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