Ah! Délia, imperdível
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terça-feira, 02 de setembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
ReproduçãoAdélia Prado: leitura de poemas e bate-papo com os leitoresPlena quarta-feira, 3 de setembro, Curitiba tem uma visita importante. Pela primeira vez por suas ruas caminhará a poeta e sua poesia: Adélia Prado. Ela vem para participar do programa Bate-Papo Literário, no Memorial de Curitiba. A promoção é da Fundação Cultural de Curitiba, com apoio de O Boticário, Jingle Bell e do Adélia Fã-Clube.
Precisava ela vir para que o fã-clube pudesse realizar o sonho de ter em carne-e-osso a sua poeta maior. Os iniciados em Adélia Prado, reunidos nessa congregação, se dão ao direito e ao luxo de cantar parabéns, comer bolo e tomar refrigerantes em todo dia 13 de dezembro, data de seu aniversário.
Adélia Luzia Prado de Freitas, 51 anos, nascida e criada em Divinópolis, onde mora até hoje, confessa ficar envaidecida com os admiradores curitibanos. O fã-clube nasceu de uma grande brincadeira do Hélio (Leites, artista plástico), mas para mim é a glória. Afinal, isso só acontece com os artistas de rádio ou TV.
SignificadosO encontro de Adélia com os leitores está marcado para às 19 horas. Ela conta como será: Começo fazendo a leitura de alguns textos, depois falo um pouco sobre o significado da poesia para mim, e em seguida abro a conversa para todos. Gosto muito dessa idéia de responder às perguntas e às expectativas do público. Este contato é muito importante.
A poeta não caminha somente em direção aos que a lêem. Gosto muito da classe dos curiosos. São pessoas que podem acabar descobrindo a poesia através de uma iniciativa como essa, afirma.
Outra parcela se enveredou nos versos adelianos indo direto à fonte, nas linhas de seus livros. Bagagem, editado em 1976, foi cantado em prosa por Carlos Drummond de Andrade. Era o que bastava para o Brasil voltar seus olhos à mulher do interior mineiro que fala de coisas comuns, com a dimensão da religiosidade das palavras.
A fama acontecida de repente, apesar de a essas alturas estar com 40 anos de idade, não turvou a vista da poeta, nem sua simplicidade no trato da fala escrita. Outro livro de poesias foi lançado em 1978, O Coração Disparado; o primeiro de prosa, Solte os Cachorros, é de 1979; o segundo, Cacos para um Vitral, é do ano seguinte. Terra de Santa Cruz (poesia), é de 1981, Os Componentes da Banda (prosa), de 1984.
Desse lote saiu o texto que Naum Alves de Souza costurou para Dona Doida: Um Interlúdio, transformado num tour de force na carreira de Fernanda Montenegro. Fazendo justiça: a própria Fernanda, seu marido Fernando Torres e Adélia Prado pinçaram poemas, contos, crônicas que ganharam a forma definitiva vista no palco.
EsmeroHá 15 anos o artista plástico Hélio Leites coordena as atividades do Adélia Fã-Clube. Ele conta do farto material que armazena sobre a poeta. Benza Deus! Matérias de jornais, revistas, textos críticos, cartas, vídeos, livros, poemas, cada um mostrando um canto desse encanto que é Ah!délia.
Leites comenta que os jornalistas se esmeram quando o assunto é Adélia, e na busca de expresões que melhor a traduzam viram seus baús de ponta-cabeça atrás da palavra preciosa e precisa. Sereno, Drummond acordou o Brasil com seu texto igualmente calmo, sem se descabelar, sem virar o baú, mas definitivo:
- São Francisco está nesse exato momento ditando os mais belos poemas da língua portuguesa no quintal de uma poeta chamada Adélia Prado.
qAdélia Prado fala com o público através do projeto Bate-Papo Literário, da Fundação Cultural de Curitiba. Hoje, às 19h, no Memorial de Curitiba, Largo da Ordem. Entrada franca.


