Por conta do equilíbrio da economia e da moeda, passar a estação fria nas deliciosas águas quentes de Caldas Novas, no Sul de Goiás, está custando este ano cerca de 20% menos do que no ano passado. Com isso, as pousadas encravadas ao pé da Serra de Caldas estão revezando semanalmente visitantes de São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Paraná, Rio de Janeiro, e de pontos extremos como o Rio Grande do Sul e o Rio Grande do Norte. A água que faz a fama do lugar pode chegar à temperatura natural de 45 graus, brotando dos aquíferos Araxá e Bambuí, de onde é sorvida para o abastecimento do balneário através de poços artesianos.
‘‘Hoje já não se modifica mais o preço, não se faz mais distinção entre alta e baixa temporada’’, explica o presidente da Associação dos Gerentes de Hotéis e Caldas Novas e secretário executivo do Conselho Municipal de Turismo, Aparecido Sparapani. Gerente geral do clube-hotel Thermas Di Roma, Sparapani aponta que os seus preços de diária de casal baixaram de R$ 125,00 para R$ 100,00, com meia pensão, e essa é a tendência geral de Caldas Novas - que tem listados mais de 170 hotéis do gênero.
A queda nos preços foi bom negócio para o setor, que aumentou o movimento. O Di Roma, por exemplo, está mantendo a média da taxa de ocupação em 70% mês a mês, ‘‘consideravelmente’’ maior do que a média de 96, segundo Sparapani. No seu complexo, distribuído em 110 mil metros quadrados de puro lazer e descanso, o Di Roma dispõe de 238 apartamentos - todos espaçosos e confortáveis - com capacidade nominal para 680 pessoas. A substituição de 80% dos hóspedes é feita normalmente às quinta-feiras, quando começam novos períodos de pacotes.
Nove piscinas termais e uma fria, contando piscinas de hidromassagem, de adultos e crianças, além de um tobogã gigante, passam o dia - e parte da noite - ocupadas no Di Roma. A sustentação de água é feita por dois poços artesianos de 500 metros de profundidade e de outros três poços externos. Em 96, em vista da constatação de um fenômeno de redução do nível de oferta do lençol freático de Caldas Novas, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) proibiu ligações domésticas de água quente, comuns e tradicionais na cidade de 40 mil habitantes, e baixou um sistema de racionamento na hotelaria.
A medida foi contestada pela população, mas logo compreendida. O advento do projeto municipal de captação do Rio Pirapitinga solucionou o abastecimento. Os hotéis absorveram melhor a determinação, segundo Sparapani, e aceitaram fazer um programa de urgência - que ainda está em vigor - de redução de 50% do volume de água utilizada, sob pena de pesadas multas que podem ir a R$ 3 mil. Hoje, segundo estudos do DNPM, o nível dos aquíferos está voltando ao normal.
Projetos O grupo empresarial Di Roma começou a surgir há 25 anos, com um modesto hotel de apenas oito apartamentos. Hoje é composto pelo Thermas Di Roma, fundado há dez anos e que tem oito anos de atividade, pelo Hotel Império Romano (ambos em Caldas Novas) e pela mais recente aquisição, o famoso Clube Itanhangá, em Goiânia, que passou à denominação de Clube di Roma de Goiânia. A estrutura do Thermas Di Roma, em Caldas, dispõe de restaurantes self service ou à la carte, lanchonetes, bares secos e ‘‘molhados’’, boutique e outros serviços. A música é ao vivo dia e noite, e grupos de animadores organizam atividades físicas e culturais, caminhadas internas e tours pela cidade.
Os projetos para Caldas são ambiciosos, diz Sparapani. ‘‘A cidade vai crescer mais nos próximos dez anos do que já cresceu até aqui, e temos que acompanhar essa explosão’’. A explosão a que se refere são os investimentos no aeroporto, cuja pista de 2.300 metros ‘‘é melhor do que a de Goiânia’’ e maior do que a do vizinho município - a 16 quilômetros - de Rio Quente, também nascido em função da hotelaria. O aeroporto de Rio Quente, transformado em município há oito anos, tem pista de 900 metros.
No que se refere ao crescimento do seu complexo hoteleiro de lazer, Sparapani mostra o projeto para um novo bloco, com 150 apartamentos, o projeto do Centro de Convenções para 2 mil pessoas, e o projeto do Parque Aquático Recreio - que vai ocupar área contígua, de 50 mil metros quadrados. Os dois últimos já estão com construção a todo vapor. O Recreio deverá ser inaugurado em julho do ano que vem. Toda a estrutura nova deverá pelo menos dobrar a oferta de empregos no hotel, hoje de 180 pessoas. Em toda a cidade, a hotelaria emprega cerca de 3 mil.

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