Águas do Tibagi dão sinais de recuperação
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quarta-feira, 04 de junho de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Desmatamento incessante, lançamento de esgoto doméstico e industrial, exploração indiscriminada das reservas de areia. Abusos sofridos ao longo de mais de 60 anos de ocupação humana desordenada em suas margens começaram a cobrar seu preço na década de 80, quando a morte anunciada do Rio Tibagi começou a ser discutida em âmbito estadual. Em 1989, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) entrou na briga pela melhoria das condições do rio e através de uma parceria com Klabin SA e Consórcio Intermunicipal para a Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati), criou o projeto Tibagi. A idéia era fazer um levantamento pormenorizado do ecossistema e apontar soluções. Treze anos depois, o esforço de cerca de 200 profissionais foi compilado em um livro, que está sendo distribuído para as comunidades dos 54 municípios que compõem a bacia.
A distribuição dos exemplares em bibliotecas e órgãos de pesquisa faz parte do esforço de salvar o rio através da informação e educação ambiental - uma das propostas iniciais do projeto. Mas apesar dos problemas levantados nos últimos anos, há boas notícias.
Segundo Oscar Shibatta - doutor em Ecologia e Recursos Naturais e um dos editores do livro - a melhoria da qualidade da água é um das conquistas mais visíveis. Reflexo direto disso é a enorme diversidade de peixes encontradas na bacia. Até agora foram catalogadas 110 espécies na bacia, um número 37% maior do que o último inventário, publicado em 1995.
Outros fatos corroboram a tese. No início do projeto, relata o professor, algumas espécies eram pouco encontradas pela população ribeirinha, o pintado, por exemplo, era pouco comum na região de Londrina, hoje é pescado com relativa frequência no distrito de Maravilha. ''Foi uma surpresa encontrarmos tantos peixes, o que prova que a bacia tem grandes chances de recuperação e seu valor natural ainda é muito grande'', afirma Shibatta.
Para o professor, a melhoria está associada à diminuição do uso de agrotóxicos, a topografia da bacia nos pontos com melhor desempenho e as ações desenvolvidas pelo projeto Tibagi. ''Passamos mais de 10 anos monitorando margens e isso teve impacto de coibir abusos nas populações ribeirinhas e também desenvolver uma consciência em relação ao rio'', acrescenta Edmilson Bianchini, doutor em biologia vegetal e editor do livro.
Se em alguns setores houve avanços, em outros, as coisas continuam praticamente na estaca zero. Os projetos de reflorestamento da mata ciliar não foram coordenados e poucos municípios efetivamente desenvolveram ações continuadas. O resultado é que a região da bacia tem apenas 3% de cobertura contra os 20% exigidos pela legislação. Na região norte, a situação é pior. Sobraram apenas 1,5% das matas nativas.
Para os coordenadores do projeto, a recuperação da mata ciliar é o maior problema a ser enfrentado e também o maior desafio. ''Ainda vemos com frequência, plantações invadirem as margens do rio, sem esse filtro natural a contaminação das águas é maior, sem falar que as plantas são fonte de alimento para peixes e outros animais que vivem na bacia'', complementa Shibatta.


