Arquivo FolhaAbundânciaNos seus mil quilômetros de litoral e outros tantos milhares de quilômetros de rios no interior, há uma profusão de peixes de espécies, formas, cores e sabores diferentesEles aterrissam nos aeroportos de Salvador, Porto Seguro, Ilhéus, Canavieiras ou Belmonte com destino à Corrente do Brasil, ou ‘‘corrente do mar azul’’ como é mais conhecida entre os pescadores do litoral sul da Bahia, onde ela passa bem próxima ao litoral. São os aficionados pela pesca do marlin azul, o mais nobre entre os peixes de bico (consagrado na obra de Hemingway, O Velho e o Mar). Muitos desses pescadores embarcam direto em uma ‘‘maris 30’’ e seguem para o banco Royal Charlote, considerado entre os 20 melhores pesqueiros do mundo, segundo as revistas especializadas Salt Water e Marlin. O recorde mundial de pesca oceânica, um marlin azul de 620 quilos foi batido na região sul da Bahia.
O mar da Bahia está sempre pra peixe. Dependendo da época, pode não estar pra pescador mas, quando se fala em pescaria, é sempre motivo para festa.
Em alto-mar, na pesca oceânica, os peixes de bico, os mais valentes e cobiçados na modalidade esportiva, desafiam pescadores que os transformam em recordes. Se a pesca é nas águas doces do rio São Francisco, o surubim (pintado) é o troféu maior. Mas, se a pescaria está entre o mar e o rio, nas águas salobras da foz do Jequitinhonha, do Paraguaçu ou de inúmeras outras ‘‘barras’’ que pontilham o litoral baiano, é a vez do robalo despontar como o peixe mais cobiçado entre pescadores amadores e profissionais.
Esportiva ou profissional, técnica ou artesanal a pesca na Bahia atrai milhares de adeptos, desde estrangeiros excêntricos e apaixonados pela captura esportiva do marlin azul, pescadores tradicionais que fazem do ofício uma arte de beleza coreográfica e cênica, até aqueles hilários ‘‘pescadores da beira da praia’’, que chegam com seus molinetes, arremessam e querem mais é tomar uma ‘‘geladinha’’ na sombra. Se o peixe levar a isca e o anzol não tem problema; garganta é o que não vai faltar para contar a maior mentira que, com certeza, vai entrar para o recorde das ‘‘histórias de pescador’’.
Na Bahia existem 80 mil pescadores profissionais registrados nas 58 colônias de pesca distribuídas entre o litoral e o rio São Francisco. Como o mar é um só e os rios e suas desembocaduras muitos, todo lugar e toda época é boa para a pesca, respeitando-se os períodos de desova e da piracema de algumas espécies ameaçadas de extinção e, portanto, protegidas por lei federal.
No rio São Francisco é proibido pescar surubim entre 15 de novembro e 15 de fevereiro. A pesca do robalo é proibida, pela mesma razão, entre março e julho; o camarão entre os meses de maio e julho; e a lagosta desde primeiro de janeiro até 30 de abril. Quem prefere a comodidade e a garantia do peixe pode escolher outra modalidade de pesca que já ocupa um grande espaço no segmento turístico, o pesque e pague. Espalhados por toda a Bahia, eles estão instalados em hotéis-fazenda ou à beira-mar, sempre cercados de muita natureza.

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