‘‘Caparaó é um nome indígena que significa águas cristalinas que rolam da serra’’, explica o diretor do Parque Nacional Caparaó, Estevão José Marchesini Fonseca. E a sabedoria indígena pode ser comprovada na prática. Dentro deste parque nascem dois rios de águas cristalinas e potáveis: Rio José Pedro, que separa Espírito Santo de Minas Gerais, e o Rio Caparaó, que nasce bem próximo ao Pico a Bandeira. Na cidade, os moradores costumam beber água da torneira e até recomendam esta prática aos visitantes. E a água é realmente muito boa.
São dezenas as cachoeiras e poços, com águas realmente transparentes e convidativas, localizadas dentro ou próximas ao parque, como por exemplo o Vale Verde, Cachoeira das Andorinhas, Cachoeira Bonita (queda de 80m) e a gruta do Jacu. No inverno, as cachoeiras ficam praticamente secas, época boa para o trekking, e no verão, com as chuvas, as cachoeiras ficam cheias e há flores em toda parte.
‘‘O parque tem várias atrações e recebemos turistas o ano inteiro, mas a melhor época para visitá-lo é agora, durante o inverno’’, frisa Fonseca. A temperatura média durante todo o ano é de 19 a 22 graus (menos no cume), e a flora é formada por campos de altitude circundado por um anel de mata atlântica, onde floresce orquídeas e bromélias maravilhosas durante o verão.
O Pico da Bandeira é o terceiro mais alto do Brasil, com 2.890 mts; o segundo é o Pico 31 de março, localizado no Amazonas, com 2.992 mts; e o mais alto é o Pico da Neblina com 3.014 mts.
O Pico da Bandeira tem este nome porque o imperador Dom Pedro II mandou colocar uma bandeira do Brasil em seu cume. Na época, ele era considerado o maior pico do País. ‘‘Também durante o Império, um senhor chamado Dutrão foi expulso da corte e fugiu para Caparaó fixando residência próximo ao Pico da Bandeira. Lá, ele fez uma roça e criava gado. Dutrão morreu sem deixar herdeiros e o gado foi se reproduzindo e tornando-se selvagem. Os touros têm o costume de raspar a terra com o chifre, e foram eles que fizeram o Terreirão, uma grande área plana e sem vegetação’’, conta Aides Gomes Monteiro, neto de um dos primeiros habitantes do Pico da Bandeira, que nasceu e cresceu na área onde hoje é o parque.
‘‘Mais tarde quando meu bisavô descobriu este local deu-lhe o nome de Terreiro. Meu bisavô era dono de tudo isso e foi ele quem construiu a Casa Queimada. Minha tia plantou a única araucária daqui, perto do Terreirão, que deve ter uns 130 anos’’, continua Monteiro, que costumava passar semanas no Terreirão levando gado. ‘‘Por causa da altitude naquela região não há insetos e o gado não adoece’’, argumenta.
Cronologicamente, primeiro vieram os índios botocudos e puri. Depois do Dutrão, chegou a família Monteiro, em seguida os imigrantes alemães e por último os comunistas. Os moradores da cidade afirmam que durante a ditadura militar um grupo de guerrilheiros teria escondido armas no Pico da Bandeira. ‘‘Os comunistas queriam fazer daqui a Serra Maestra brasileira, mas o exército descobriu e prendeu todos’’, conta Monteiro.
‘‘A maioria dos habitantes da cidade trabalha nas roças de café e ainda não valoriza o potencial turístico da cidade’’, avalia Monteiro. Por isso, quem for para Alto Caparaó procurando agitação é melhor mudar o destino, durante a semana, às 22 horas já não tem ninguém na rua.

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