ágora tem programação até fim do ano
São Paulo, 23 (AE) - A ser inaugurado amanhã (24) com o solo "Van Gogh", de Elias Andreatto, o novo espaço teatral ágora, dirigido em parceria por Roberto Lage e Celso Frateschi, tem programação fechada até o fim do ano e vai oferecer ao público não só boas estréias como a oportunidade de rever bons espetáculos atualmente fora de temporada.
Entre as reestréias que valem ser vistas ou até revistas estão "ágatha", dirigido por Roberto Lage, indicado para o Prêmio Shell por esse trabalho, e "Antes do Café", de Eugene ONeill, direção de Celso Frateschi.
"O Solo Belo", com texto de direção de Vadim Nikitim, faz a primeira temporada no ágora, assim como "Questão de Presença", solo de Madalena Bernardes, também responsável pelo texto e direção, que estréia na próxima semana.
Baseado num texto de Marguerite Duras, "ágatha" (22 a 31 de outubro) flagra a despedida de dois irmãos, interpretados por Isabel Teixeira e Luciano Schwab. O espetáculo trata o difícil tema do incesto com extrema delicadeza, numa interpretação bastante interiorizada. Na posição de voyeur, o espectador capta toda a dimensão da paixão avassaladora que une os irmãos sem que os intérpretes, em nenhum momento, atuem na linha da exasperação.
"O trabalho tem Stanislavski como base", diz Lage. "Com o tempo, a gente acumula alguns preconceitos e isso ocorreu com Stanislavski, mas acho que uma volta ao mestre se faz necessária neste momento."
"Antes do Café" (5 a 14 de novembro) foi escrito originalmente como um monólogo por Eugene ONeill. Um denso texto sobre relacionamento, dito por uma mulher ao marido enquanto prepara o café da manhã. Frateschi optou por dividir o texto entre três atrizes: Fabiana Guglielmetti, Nana Pequini e Paula Cohen. Ele criou um interessante artifício. A cada noite, as atrizes dividem de formas diferentes as partes do texto e a escolha é feita durante o espetáculo, o que reforça a atenção do elenco e mantém a interpretação viva.
"Questão de Presença", com estréia prevista para o dia 30, é um solo de Madalena Bernardes, unindo sete peças inspiradas em cenas do cotidiano e falam tanto da situação dos indigentes como da relação do homem com a morte. "Gosto do trabalho de Madalena e ela ficou fascinada com a idéia de estrear no ágora", diz Lage.
"O Solo Belo" (8 a 17 de outubro), interpretado por Gustavo Machado, sob direção de Vadim Nikitin, faz a primeira temporada no ágora, depois de algumas apresentações em eventos isolados, como o Segundas em Cena, do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O texto é uma adaptação de Nikitin para "O Belo Indiferente", de Jean Cocteau. No lugar de uma cantora de cabaré às voltas com o indiferente homem, um ator na penumbra do palco aguarda os espectadores, que assumem na mente o papel de "belos indiferentes". Por fim, somente nos dias 2 e 3, Frateschi apresenta o solo "Horácio", com o qual ganhou o Prêmio Shell de intérprete.





