Agora também nas ondas do rádio
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domingo, 14 de maio de 2006
Laura Mattos<br> Folhapress 
Pouco antes de torcedores da Gaviões da Fiel partirem para cima de policiais militares no fatídico jogo entre Corinthians e River Plate, dias atrás, o clima era descontraído nas arquibancadas do Pacaembu, em São Paulo.
Um dos corintianos ouvia sem parar a brincadeira: Vai lá, Tom Hanks, dá uma raquetada nos argentinos. Era o ator Dan Stulbach, 35, que ganhou o apelido pela semelhança física com o astro norte-americano. E a raquetada, para quem não é noveleiro, é uma referência ao personagem que o tornou famoso: o marido violento que usava até raquete de tênis para espancar a mulher, em Mulheres Apaixonadas (2003).
Stulbach contou essa história no programa de rádio que ele estreou na CBN (90,5 FM e 780 AM, em SP). Fim de Expediente vai ao ar às sextas, das 19 às 20 horas, horário da Voz do Brasil. Justamente por isso, é veiculado só em São Paulo, onde a emissora obteve liminar para não transmitir as notícias oficiais do poder público.
A direção da CBN, no entanto, ficou satisfeita com as três edições já levadas ao ar e não descarta a possibilidade de colocar Fim de Expediente em rede nacional.
Contratado da Globo, Stulbach, além de TV, atua em cinema e teatro, mas jamais havia trabalhado como radialista. Ele teve a idéia com três amigos, com os quais costumava se encontrar toda semana para andar de bicicleta e conversar. Os quatro gravaram alguns testes em fitas cassetes, num esquema bem caseiro, mas a CBN comprou a idéia e lhes propôs contrato até o final deste ano.
Se Stulbach nunca havia sido radialista, os outros três nem atores são. Zé Godoy, 34, é escritor; Duco (Rodrigo Bueno de Morais), 34, dentista; e Teco
(Luís Gustavo Medina), 31, economista.
Apesar do quarteto masculino e da história do jogo do Corinthians, Fim de Expediente não é uma mesa-redonda futebolística. Tem o objetivo de não fugir das notícias importantes, mas considera que o ouvinte se prepara para o final de semana. Logo, o tom é de mais descontração, apesar de eles, por graça, usarem sempre camisa branca e gravata. O grupo comenta e analisa acontecimentos da semana e entrevista um convidado. Já passaram por eles o psicanalista Contardo Calligaris, a vereadora e apresentadora Soninha (colunistas da Folha) e o chef Alex Atala. Amanhã será a vez de Ricardo Kotscho, ex-secretário de imprensa do governo Lula.
Stulbach comanda o time como se fosse experiente com o microfone. Conta estar adorando a função. Como jornalista, o mundo torna-se mais explicável. Como ator, é inexplicável, diverte-se. Costumavam me perguntar se eu estava feliz nas novelas. Mais ou menos. Sempre quis complementar com algo que discutisse a sociedade e não ser mais um ator que só fala de si, diz Stulbach.


