Você tem algum projeto dentro dessa linha de discos-tributos?
Eu quero fazer um tributo ao samba. Não necessariamente a um determinado compositor, mas ao samba de maneira geral, que iria abranger várias épocas, vários estilos, vários tipos de samba. Mas não sei ainda quando irá acontecer.
Não menosprezando Frejat, mas há um grande interesse em ver e rever Gilberto Gil em Londrina. Como você lida com essa questão de fãs?
Olha, eu tenho que lhe dizer que estou acostumado a lidar com isso. Nos quase 40 anos de carreira passei por vários e grandes círculos de aproximações. Agora passo por mais um círculo porque o reggae me aproxima de uma juventude que não era agregada ao meu universo. Quando gravei ''Eu Quero um Xodó'' ou ''No Woman no Cry'' foi assim. Acho que venho ampliando público cada vez mais porque aos velhos seguidores vão se agregando os novos. A cada década sempre passou gente para apreciar a música de Gil. Tornaram-se fãs, né?
O Bob Marley tem um reconhecimento artístico inegável. Havia também ligada a ele, dentro de um contexto cultural, a questão das drogas, da maconha especificamente. Como você atualmente se encaixa nesse universo?
Sempre achei que a legalização é o caminho mais interessannte para acabar com o tráfico. O tráfico é que gera toda essa violência, inclusive esse tipo de fetiche mais cultuado que a droga tem por causa da ilegalidade.
Você ainda usa drogas, Gil?
Não! Eu não tive mais necessidade da excitação mental que a droga dá. E também fui sentindo dificuldade com os efeitos colaterais que ela traz. Na verdade, tive um consumo muito restrito. As drogas que consumi por um período mais longo foram a maconha e o ácido lisérgico, por um período muito curto. Nunca consumi cocaína, heroína, outras drogas.
As drogas então foram usadas por você mais como um forma de abertura de sensações?
Foi uma coisa de descoberta, de expansor ou modificador de estado de consciência. Tive curiosidade. Mas há alguns anos perdi o hábito.
Sessenta anos de idade. Cronologicamente é um peso?
Isso é uma convenção social. É um marco. Na sociedade humana civilizada convencionou-se que 60 anos é o início da terceira idade. Tenho impressão de que muitas vezes tanto a subjetividade quanto a questão física do indivíduo não correspondem a isso. Na estrada da vida, como em qualquer estrada, é bom você seguir as sinalizações. Sessenta anos anos na estrada da vida estão querendo dizer que a velhice está próxima à direita, mais ou menos assim. A velhice não me assusta. A velhice faz parte da vida, assim como a morte. Não posso me assustar, não devo pelo menos me assustar. Tenho que trabalhar para não me assustar.

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