Ele fez de novo e conseguiu emocionar a platéia mais uma vez. O mineiro Ronaldo Fraga não quis saber de top models famosas (ou não) e optou por manequins de madeira deslizando num carrossel montado na passarela. Tal e qual criança, o público olhava maravilhado. Não perdeu o encanto nem mesmo quando um plano B teve que ser posto em prática. A máquina quebrou e as camareiras tiveram que carregar os bonecos. Foi melhor do que a encomenda.
Apesar de dizer que ‘‘o que o mundo de hoje menos precisa é de mais uma coleção, mais um desfile ou mais uma lista de tendências de moda’’, Fraga apresentou a coleção chamada de ‘‘Corpo Cru’’. ‘‘Agarro-me cada vez mais àquela vertente da moda que surge quando ela cumpre o papel de espelho e documenta a cara do tempo por onde passa. Nessa linha de pensamento, o estilista trouxe para a passarela tecidos que lembram pele, estampas de seios entre outras partes do corpo.
Abrindo o último dia de desfiles da São Paulo Fashion Week, Reinaldo Lourenço continuou no mesmo caminho trilhado na edição passada e fez muito bem. A roupa é utilitária, esportiva, mas não perde a elegância. A cartela de cores tem cru, cinza e a belíssima gardênia. As garotas de Reinaldo usam mochilas gigantes e calças curtas. Na sobreposição monocromática, o destaque é para as aplicações de sutache.
Ana Hickman de vestido vermelhão e capa verde, e o desfile de Lino Villaventura prometia um desbunde de cores e brilhos, mas foi só a primeira entrada. O preto foi vedete e a modelagem vem mais fechada e sóbria. Mas os tecidos cada vez mais elaborados não foram esquecidos. A mistura no sentido das nervuras cria novas formas e volumes.
Das coloridas estampas da edição passada, André Lima passou para pérolas e rendas. Algo a ver com as críticas que o chamaram de over? A inspiração vem das décadas de 30, 40 e 50 e as modelos têm lágrimas (de maquiagem) nos olhos.
‘‘Formas relaxadas’’ prometem um inverno confortável na visão da grife Carlota Joaquina, a última a desfilar na São Paulo Fashion Week. Do passado, volta a calça-sarouel (com o cavalo comprido, quase abaixo do joelho). Os bichos estão soltos e as borboletas estampam e dão forma aos vestidos-ponchos. A previsão é de que as novidades apresentadas na semana passada comecem a dar o ar da graça a partir do mês que vem.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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