Agora é que são eles
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Anna Bittencourt<br>TV Press 
As reprises que são transmitidas diariamente pelo Viva reforçam sua função saudosista entre os canais da Globosat. Até mesmo suas produções próprias e inéditas reforçam essa ideia. Depois de homenagear as maiores atrizes do País, na série "Damas da TV", agora chegou a vez de prestigiar os atores com mais "status" na teledramaturgia. O "Grandes Atores", que estreia hoje, é a nova "menina dos olhos" do Viva.
Sem afetações, a produção reuniu 26 intérpretes em um cenário minimalista que chega a lembrar a série "O Que Vi da Vida", exibida no "Fantástico" para relembrar os pontos mais marcantes da trajetória deles e da tevê, no ano em que a teledramaturgia completa 65 anos. "Muito mais do que audiência, queremos o documento, o registro histórico da tevê no Brasil", ressalta Fernando Schiavo, diretor de marketing do canal.
O caráter documental de "Grandes Atores" ficou a cargo do pesquisador Hermes Frederico, responsável também pela idealização de "Damas da TV". Além de, junto com a direção do Viva, escolher 26 nomes para apresentar nos programas, ele ficou responsável por fazer as entrevistas. "Buscamos atores que se tornaram patrimônios culturais. Alguns mais antigos, que cresceram junto com a tevê, e outros que despontaram nos últimos anos", conta Hermes.
Nomes como Antônio Fagundes, Edson Celulari, Francisco Cuoco, José Mayer, Lázaro Ramos, Marco Nanini e Osmar Prado estão na lista dos homenageados. "A ideia era que a entrevista fosse um bate-papo informal, pautado na carreira, trabalhos e como a trajetória deles se unia com a história da teledramaturgia", antecipa.
Como um depoimento autobiográfico, as entrevistas são intercaladas com cenas emblemáticas de cada ator e fotos do acervo das emissoras por quais passaram. Entre lembranças emocionadas, estão histórias curiosas e referências a grandes nomes que já faleceram. Por exemplo, Tony Ramos credita a Oscarito sua inspiração para seguir a profissão de ator. Já Mauro Mendonça relembra de épocas mais antigas na tevê. "Lembro que os 'câmaras' usavam terno e gravata. Isso é inimaginável nos dias de hoje", relembra o ator.
Além disso, ele recorda com afeto das primeiras comoções causadas pelo veículo de massa. Em "Faça Uma Criança Sorrir", espécie de "Criança Esperança" de cinquenta anos atrás, exibida pela extinta TV Excelsior, Mauro Mendonça garante ter ficado abismado com a mobilização das pessoas. "Paramos São Paulo. E, a partir daí, comecei a ver o poder da televisão sobre o povo", afirma.
Luis Gustavo conta que não consegue nem imaginar por qual outro caminho poderia ter seguido. "Cresci dentro de um estúdio de tevê. Daí a minha paixão", garante. Mesmo caminho que seu sobrinho, Cássio Gabus Mendes, afirma ter percorrido. Filho do autor Cassiano Gabus Mendes, ele vê a figura do pai como uma espécie de "guru". "Foi quem me deu minha primeira chance", conta, emocionado.
Assim como os veteranos, alguns nomes mais jovens também tiveram espaço garantido na lista de homenagens do "Grandes Atores". Para Mateus Solano, que estreou na tevê em 2003, interpretando Stuart Angel no policialesco "Linha Direta", é a oportunidade aliada ao talento que gera o reconhecimento. "O Félix conseguiu fazer com que o público se propusesse a pensar em coisas que não pensaria. Percebi que a televisão não é só poderosa como entretenimento", valoriza, citando o personagem que interpretou em "Amor à Vida", exibida pela Globo em 2013. Além dele, outros "novatos" como Thiago Lacerda, Marcelo Serrado, Marcos Palmeira e Murilo Benício também aparecem na lista. "É um prestígio enorme estar do lado de tanta gente que sempre admirei", elogia Thiago Lacerda.


