O adjetivo canalha, até então bastante concentrado no universo masculino, definitivamente passou para o feminino. "As Canalhas", série do GNT, apresenta mulheres desonestas, capazes de tudo para conseguir o que querem. A boa repercussão da primeira temporada, exibida no último ano, fez com que o canal a cabo, em parceria com a Migdal Filmes, começasse a rodar os 13 novos episódios, que estreiam no dia 7 de abril. "Acredito que a 'canalhice' feminina é muito mais ampla do que a masculina. Homem canalha é aquele que trai. Já a mulher pode ser canalha até com uma amiga", opina, com bom humor, Johnny Araújo, diretor ao lado de Vicente Amorim.
A divisão da direção da série não é uma coincidência. Johnny e Vicente também trabalharam juntos na segunda temporada de "Copa Hotel", outra boa aposta do GNT. Para Johnny, a experiência anterior foi fundamental para que o trabalho ficasse alinhado. "Vi os dois primeiros episódios que ele dirigiu e isso também me ajudou a chegar na medida certa. O humor é um gênero muito difícil de fazer, a possibilidade de sair do tom é muito grande", avalia Johnny. Para a segunda temporada, "As Canalhas" apresenta algumas modificações. Desta vez, o salão de beleza que funcionava como ponto de partida para que as protagonistas contassem suas histórias foi descartado. "Agora, no meio da cena, a protagonista desvia o olhar e fala para a câmara. É como se ela se dirigisse ao telespectador. Usamos o mesmo conceito do 'House of Cards'", explica Vicente Amorim, citando a série do canal online Netflix, protagonizada por Kevin Spacey.
No episódio "Rafaela, A Menina Virtual" – que ainda não tem data de exibição definida –, a protagonista é interpretada por Clara Maria. Segundo Johnny Araújo, a história mais "teen" da nova temporada tem uma "pegada" contemporânea. A trama gira em torno do namoro colegial de Rafaela e Felipe, interpretado por Rafael Canedo. Para aparecer para os amigos, o garoto grava escondido a namorada fazendo sexo oral nele. "É um clássico da adolescência", dispara Rafael, que, para conseguir o papel, precisou improvisar em cima da hora. "Fui fazer teste para outro personagem, de outro episódio. Na hora, os diretores me falaram que eu era a cara do Felipe", conta, empolgado. Depois de ser exposta pelo namorado, é hora de Rafaela mostrar seu lado canalha. "Ela pensa mil possibilidades de se vingar dele. Nessa cena, se passa por uma mulher mais velha para instigá-lo a fazer um 'striptease' pela 'webcam'", conta Clara.
O "set" do episódio, uma confortável casa no bairro da Tijuca, abriga por quatro dias – período estabelecido pela produção para gravar cada história – uma equipe que varia entre 50 e 80 pessoas. A gravação das cenas em que Felipe era convencido a ficar nu na frente do computador foi dividida em duas etapas. Primeiro, Clara Maria gravou sua parte com a ajuda de Rafael. O tempo todo, os dois jovens combinavam a melhor forma de falar cada coisa. "Não se prendam ao texto. Entendam a história e passem como vocês falariam normalmente", orientava Johnny. Depois, Rafael gravou as cenas do "striptease". Mas, para Johnny, nem o nu, nem a filmagem feita pelo rapaz serão o foco da história. "Não vai aparecer nada. Vai ficar indicado, subentendido. A série é de comédia, não tem espaço para entrar nesse lado sexual", explica o diretor.

SERVIÇO

"As Canalhas" – GNT – Estreia no dia 7 de abril, às 21h30

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