Agora é a hora de Orlando Morais
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 1997
Mariela de Castro Santos Sucursal de Curitiba 
Este é um daqueles discos para se escutar numa calma tarde de sábado, enquanto beberica um drink doce, de preferência em boa companhia e com uma bela paisagem. Agora, novo CD do cantor e compositor Orlando Morais, é um convite à poesia e ao sabor, com toda a calma.
É mesmo de poesia que se compõem os versos de Orlando, na maioria das 15 faixas. São três canções inéditas de sua autoria (Gamela, Tan-Tan e Negro Céu) e 12 já gravadas em discos anteriores, dele e de outros artistas. Mais conhecido por suas bem-sucedidas parceiras com grandes nomes da música popular brasileira, como Cazuza, Caetano Veloso e Djavan, Orlando trilha o caminho para o olimpo da fama com as armas que possui: uma enorme sensibilidade para colocar em palavras o que vai pelos corações.
Não é difícil captar aqui e ali, o tempo todo, a poética aguçada do compositor. Ela está em Eu queria tanto lhe dizer/Da minha solidão, da minha solidez/Do tempo que esperei por minha vez/Da nuvem que passou e não choveu, de A Montanha e a Chuva, que ele canta com Maria Bethânia; está em A felicidade é um rio denso/E precisa de silêncio/Pra falar ao coração, de O Que Vem a Ser Felicidade; está em Estrelas vão fugindo/Entre os faróis e o mar/O nosso amor sumindo/Entre partir, ficar, de Cruzando Raios, composição com Tony Costa. Está lá, simplesmente, sem precisar de explicação.
Repertório O disco, quinto da carreira do artista, delicia nas baladas mais suaves e reúne um time de primeira grandeza, seja nas interpretações, seja nas composições. Futebol, faixa que está sendo executada nas rádios do País, é uma homenagem a Garrincha e conta com a voz de Elza Soares, viúva do craque. Caetano Veloso empresta seu canto e seu violão em Divinamente Nua, a Lua, que ajudou a compor para a trilha sonora da novela Pantanal. Cazuza contracena com Orlando nas letras de Oriental e Portuga, enquanto Djavan fala em Restos de sonhos/sobre um novo dia/Amores nos vagões/Vagões nos trilhos, em A Rota do Indivíduo.
Orlando Morais, marido da atriz Glória Pires, compôs músicas para novelas de grande audiência, como O Rei do Gado, Mulheres de Areia e Ana Raio e Zé Trovão, mas agora dá um passo mais ousado: vai criar a trilha sonora do filme Dona Bárbara, dirigido pela americana Bethy Kaplan - a mesma diretora de De Amor e de Sombras, com Antonio Banderas.


