Agora, como protagonista
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de setembro de 2002
Roberta Brasil<br> TV Press 
Quando Flávia Alessandra foi convidada por Antônio Calmon para ser protagonista de sua próxima novela, a atriz não deu maiores esperanças ao autor. Disse apenas que ia pensar no assunto. Naquele momento, na verdade, a atriz não se deu conta do que aconteceu. ''A ficha demorou a cair. Um autor de novela me convidando, pessoalmente? Simplesmente não imaginava que era sério'', admite. Flávia ligou em seguida para Calmon e só acreditou quando ele repetiu o convite para que ela interpretasse a heroína Lívia, de ''O Beijo do Vampiro''. A personagem é perseguida ao longo dos séculos pelo amor obsessivo do vampirão Bóris, de Tarcísio Meira. Desta vez, a atriz não bobeou. ''É uma delícia voltar a fazer uma novela do autor com quem eu comecei na tevê'', derrama-se, redimida.
A lembrança é inevitável. Flávia Alessandra estreou em novelas em 1989, como a Tininha, de ''Top Model''. O papel, pequeno, foi o prêmio por ela ter vencido um concurso para novos talentos no ''Domingão do Faustão''. Na época, a novata, de 15 anos, sentia-se perdida num set e não fazia idéia de quem era Antônio Calmon. Treze anos e sete novelas depois, o convite do pioneiro Calmon soou como um bom presságio. ''Talvez seja o início de uma fase mais madura. Com certeza, é um recomeço. Não acredito em coincidências'', profetiza a atriz de 28 anos recém-separada do diretor Marcos Paulo, que assina a direção de núcleo da novela.
Qual é a sensação de fazer uma novela do mesmo autor com quem você começou, passados 13 anos?
Deliciosa! Parece que foi ontem e, ao mesmo tempo, eu vivi tanta coisa desde então... Na minha primeira novela, ''Top Model'', eu tinha acabado de fechar contrato com a emissora em função do concurso do Faustão. Tudo era novo, grandioso para mim. Mas não tinha idéia de quem era Antônio Calmon. Hoje, eu sei reconhecer quando um texto de novela é bom. E as obras do Calmon são sempre boas. Por isso, fico ainda mais feliz por ele ter lembrado de mim. Toda a atriz sonha em ser convidada pelo próprio autor da novela. Ainda mais quando se trata de fazer uma personagem tão interessante quanto a Lívia.
Esta é a terceira Lívia que você interpreta, em novelas consecutivas...
Olha, eu juro que isso não está no meu contrato! O importante é que são personagens diferentes, inclusive na aparência. Quando fiz as primeiras fotos com os cabelos mais escuros, como uso na novela, até levei um susto! Mas as nuances de personalidade também são evidentes. Da Lívia de ''Porto dos Milagres'', essa tem o espírito batalhador, que ela vai mostrar depois de perder o marido e tiver de garantir o sustento da família. E, a não ser pelo fato de também ser mãe, ela é o oposto da vilã que vivi em ''Meu Bem Querer''. A Lívia de ''O Beijo...'' é uma mulher feliz pelo menos no início da novela e amada já de muito tempo.
Você parece sempre mais preocupada com a voz do que a expressão corporal...
Porque eu sei que este é o meu ponto fraco. Fiz balé durante muito tempo e tenho mais domínio sobre meu corpo do que sobre minha voz. Se der bobeira, numa cena dramática eu vou para o agudo e fico histérica. A gente tinha muitas cenas difíceis no início das gravações. Quando ela perde o marido, fica doida, transtornada... Ela entra no quarto, desesperada... É o tipo de cena que fica a um passo de virar uma tragédia grega horrorosa.
Você gosta de assistir a suas cenas?
Assisto, mas me critico o tempo todo. Eu sei quando algo poderia render mais. Só que tenho que fazer várias cenas por dia e, por mais que eu queira repetir alguma, o diretor diz: ''Não Flavinha, já ficou muito bom. Vai assim''. Não dá mesmo tempo... Novela é fábrica de pizza. Entra aqui e sai ali. A diferença é que, hoje, eu já entro com mais segurança num estúdio. Sei a quem tenho de pedir colaboração, o que será mais difícil para mim... Eu já interfiro, me manifesto em marcas que vão me favorecer, ou não. Antes, não tinha essa noção. Tem horas que, realmente, os diretores que sabem mais do que a gente. Mas, em outras, é o ator que sabe. Hoje, se vejo algo errado, eu falo.
Você está sendo dirigida por Marcos Paulo, com quem trabalhou em outras novelas. Só que, agora, num período de separação...
Não misturamos as duas coisas. Somos profissionais e o Marcos é um ótimo diretor. Mas, até agora, ele dirigiu poucas cenas minhas. Foi uma separação amigável, ponderada, e creio que não teremos problemas. No momento, só quero trabalhar e me aprimorar como atriz.


