Agente 86 fica só a meio caminho
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Anteontem à noite em São Paulo, a Warner Bros recebeu a imprensa e convidados para o lançamento do primeiro pacote dos cinco DVDs com os 30 episódios iniciais (de um total de 138) da série televisiva ''O Agente 86'', que fez muito sucesso entre 1965 e 1970. O evento, segundo consta muito prestigiado, coincide com a estréia nacional, a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 2), da adaptação para o cinema das aventuras do atrapalhado agente secreto criado por Mel Brooks e Buck Henry há 43 anos, hoje considerada com justiça um cult.
Quem curtiu naquele momento e quiser esperar mais um pouquinho para conferir a série, em inevitável mergulho nostálgico, vai se divertir bem mais do que assistindo este estranho condensado de quase duas horas. E para quem não conhece, fica o convite para bons momentos de entretenimento inteligente, ao melhor e mais esperto estilo da assinatura de Brooks.
Desde seu anúncio inicial, o projeto era esperado com enorme expectativa, mas hoje na tela termina frustrado. O que o time de produtores tentou fazer foi um filme que resultasse simultaneamente engraçado (claro, o original era uma comédia), mais ou menos na linha Austin Powers, embalado também numa certa vertigem jamesbondiana e ainda temperado por boa dose de romantismo. Uma amálgama interessante, mas convenhamos, um pouco pretensiosa para o diretor Peter Segall, com credenciais suspeitas como a execrável refilmagem de ''O Professor Aloprado''.
Como o 007 de Sean Connery a partir de 1961, o agente 86 incorporado pelo ator Don Adams em 1965 carregava a tiracolo alguns gadgets (como aquele infame sapato-telefone). Mas as semelhanças terminavam aqui. Embora imaginasse ser alguém sofisticado e muito esperto, o espião da agência CONTROL era um desastre único, a elegante incompetência personalizada, sempre tentando neutralizar os adversários da agência KAOS. E conseguia, ajudado muito pela sorte e pela onipresença da agente 99, com quem se casaria no final da série.
Não faz muito sentido, ou não vale muito a pena, falar aqui sobre a trama desta estréia de hoje. Apenas convém saber que o Maxwell Smart da vez é um Steve Carell não exatamente adequado ao papel, e que a bela Anne Hathaway revive com charme agora mais apetecível a agente 99.


