Agenor Evangelista comemora 60 anos com nova exposição
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
O artista plástico londrinense Agenor Evangelista tem o hábito de comemorar seu aniversário com exposições. A festa dos 60 anos, amanhã, repete o ritual. Ele vai inaugurar uma individual na loja Cambada, da Galeria 13 (Rua Goiás, 1.340), reunindo 60 obras de sua produção recente, todas em acrílica sobre papel. A curadoria é de Letícia Batista. O coquetel começa às 19h30, com apresentação musical do grupo Vozes Barroca.
"Pintei esses 60 quadros nos últimos 60 dias. Estou preparando o caminho para chegar aos 80 e, quem sabe, comemorar o centenário de Londrina. Será que chego lá?", brinca ele, que já tem oito telas da exposição vendidas antecipadamente. O título da individual, "O menino que sonhava com os impressionistas", fornece a dica para quem tem curiosidade sobre as referências que inspiraram o artista.
"Na minha infância, li um livro que falava sobre os pintores impressionistas e aquilo ficou na minha cabeça. Fiquei encantando com as cores e com a prática de pintar ao ar livre, além da vida boêmia que levavam. Também tive grande influência de Van Gogh e dos expressionistas, dos traços de Di Cavalcanti e Cândido Portinari. Bebi muito dessas fontes", conta.
Ele não deixa, porém, de lembrar dos artistas locais que foram importantes em sua formação. "O Paulo Menten (1927-2011) e o Henrique Aragão me deram muitos toques. O Menten dizia que o artista só se tornava um verdadeiro artista depois dos 30 anos, e quando conquistasse independência para não precisar fazer outra coisa", salienta.
Apesar das palavras do mestre, Evangelista lembra que alguns artistas independentes de Londrina conseguiram superar condições adversas e conquistar reconhecimento da população. Ele se empolga ao falar de Bhall Marcos (que assina o texto de apresentação de sua exposição), Frutuoso, Ariel Freire e Angela Diana. "São artistas que consolidaram suas carreiras mesmo tendo que sobreviver desempenhando outras atividades profissionais", sublinha.
O próprio pintor incursionou por outras áreas antes de largar tudo para se dedicar à pintura. Fez cursos de cabeleireiro, eletricista, técnico em edificações e Arquitetura (não concluído).
"Minha família não é rica, todos trabalham e me dão o suporte para eu continuar nessa vida de sonhador. Minha família é meu mecenas", diz.
ATIVISTA
Paralelamente às quatro décadas de trajetória artística, tornou-se um ativista do movimento negro, lutando na cidade pelas ações de política afirmativa. Nos anos 80, criou a Mostra Zumbi dos Palmares, posteriormente rebatizada para "Mostra Afro-Brasileira dos Palmares", exposição coletiva de arte integrada ao calendário anual do Município.
Este ano o evento chega à 29ª edição, com nova direção. Será realizado em novembro, como parte das comemorações da Semana de Consciência Negra. "Um outro grupo vai levar o evento. Ele vai vir repaginado. Decidi deixar a frente da organização depois de ouvir muitas críticas sobre minha atuação. Diziam que a Mostra era do Agenor e não do movimento negro. Agora sou presidente de honra", explica.
Decidido a empenhar-se com mais exclusividade à criação, Evangelista anuncia alguns de seus novos projetos, entre eles a publicação de histórias em quadrinhos. "Nos anos 90, lancei um gibi com os personagens Salame e Mostarda", conta. "Vou retomá-lo. O Márcio Américo (dramaturgo, escritor e humorista londrinense radicado em São Paulo) vai escrever os roteiros. Também pretendo voltar a pintar telas em grandes dimensões, formato que abandonei por falta de compradores. Nos últimos dez anos, optei por produzir miniquadros que funcionavam como cartões postais. Tive que fazer isso para continuar vendendo".
Durante a exposição, que ficará em cartaz até 30 de maio, suas obras estarão à venda a R$ 300 (à vista ou em duas parcelas sem acréscimos).
SERVIÇO
Abertura de exposição do artista Agenor Evangelista
Quando - Amanhã às 19h30
Onde - Loja Cambada (Galeria 13, R. Goiás, 1.340)


