Agências reduzem preço de pacotes internacionais
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Carolina Sanchez Miranda Agência Estado 
As seguidas altas do dólar encareceram as viagens para o exterior e as agências tiveram de se mexer para evitar que as vendas recuassem. As principais agências de viagem estão renegociando os contratos com fornecedores no exterior e abrindo mão de parte do lucro para garantir a venda de seus pacotes internacionais. Além disso, as agências contam com a redução do preço das passagens aéreas internacionais.
De acordo com o diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi, as companhias aéreas reduziram o valor das passagens para as agências de viagem, o que contribui para que os preços dos pacotes caiam naturalmente. A passagem para Miami estava custando US$ 815 e passou para US$ 599 em praticamente todas as companhias aéreas, afirma.
As agências de viagem pesquisadas pela Agência Estado em São Paulo Fênix, Monark, Soletur e Stella Barros reduziram o valor de seus pacotes internacionais ou evitaram que ficassem mais caros por causa da alta do dólar. Mesmo assim, todas as agências registraram queda nas vendas e maior procura por pacotes nacionais em relação à expectativa para a época do ano.
De acordo com Vicente Truzzi, diretor-geral da Fênix, a agência conseguiu reduzir em 13% o valor de alguns pacotes para a América Latina, negociando redução de preços com os fornecedores estrangeiros. Segundo ele, os principais descontos estão em pacotes quatro estrelas. Truzzi dá o exemplo de um pacote com destino a Buenos Aires, com duas noites em hotel quatro estrelas, café da manhã, traslados, city tour e passagem de ida e volta, que estava custando US$ 282 e passou a custar US$ 242 depois das negociações.
Salvador Trepiccione Jr., gerente de vendas da Monark, afirma que a agência reduziu o valor de seus pacotes para todos os destinos dos EUA e principais capitais da América Latina e Europa em cerca de 20%, também através de negociações com fornecedores estrangeiros. Ele dá dois exemplos de pacotes que sofreram redução no preço. Um pacote para Miami e Orlando, com seis noites em hotel classe turística, café da manhã, carro e passagem de ida e volta, custava US$ 917 e passou para US$ 714.
Outro exemplo citado por Trepiccione é um pacote para Nova York, com cinco noites em hotel classe turística, traslados, city tour e passagem área de ida e volta, que custava US$ 1.226 e passou para US$ 960. Essa redução deve-se também à redução do valor das passagens por parte das companhias aéreas, diz.
Algumas agências têm câmbio promocional. Segundo a gerente-comercial da Soletur, Denise Ortiz, para tentar reduzir o impacto da alta do dólar em seus pacotes internacionais, a agência está utilizando o câmbio promocional de US$ 2,14 para todos os pacotes de viagem internacional. A gerente afirma que este valor não será elevado. Nós só voltaremos a acompanhar o câmbio quando ele atingir o mesmo nível do câmbio promocional, diz.
Segundo ela, além do câmbio promocional, por conta de negociações com fornecedores, a agência conseguiu reduzir em cerca de 15% os preços em dólar de seus pacotes internacionais.
A Stella Barros também está utilizando câmbio promocional para cotar os pacotes, mas apenas para as férias de julho deste ano. O valor utilizado é de US$ 2,19. A agência garante que manterá o câmbio promocional mesmo diante de novas altas da moeda norte-americana. Segundo Alexandre de Roussed, vice-presidente da Stella Barros, além do câmbio promocional para alguns pacotes, a agência também procurou seus fornecedores para negociar valores menores.
No entanto, segundo ele, não houve redução no valor dos pacotes, mas o aumento dos preços em real, ocasionado pela alta do dólar, foi evitado. Além da negociação, que nos permitiu a redução no valor dos pacotes, estamos abrindo mão de parte das margens de lucro para impedir o aumento dos pacotes.
As medidas tomadas pelas agências de viagem conseguiram reduzir o impacto da alta do dólar, mas não evitaram que as pessoas preferissem fazer viagens nacionais no período de instabilidade da moeda norte-americana. Na baixa e média temporadas, período que vai de março a junho, espera-se uma procura menor por pacotes de viagem, tanto nacionais quanto internacionais. Mas as margens de vendas foram menores do que o esperado nessa época.
Segundo o diretor da Fênix, as vendas de pacotes internacionais em abril ficaram 30% abaixo do projetado para o período. Já a compra de pacotes nacionais cresceu 10%. Na Monark, as vendas foram ainda menores do que o esperado. De acordo com o gerente de vendas da agência, a venda de pacotes internacionais registradas em abril foram 50% inferiores ao volume esperado. Em contrapartida, a procura por pacotes nacionais na Mornak foi maior, aumentando 20% no mesmo período.
A queda no volume de vendas de pacotes internacionais da Soletur ficou em 25% em abril, segundo a gerente comercial da empresa, e o volume de vendas de pacotes nacionais cresceu 15%, no mesmo período. A Stella Barros fechou o mês de abril com queda de 10% nas vendas dos pacotes internacionais em relação ao projetado para o período. Segundo o vice-presidente da agência, a procura por pacotes nacionais cresceu 25%.
Para Roussed, o que mais prejudica a venda de pacotes internacionais não é exatamente a alta do dólar, mas a instabilidade da moeda norte-americana, que impede que as pessoas planejem a viagem com antecedência.


