África sob perspectiva artística
Inspirada pela exuberância da natureza africana que conferiu em viagem realizada em 2012 pela África do Sul, a artista plástica londrinense Patricia Lopes elaborou uma série de 14 trabalhos em técnica mista a partir de imagens fotográficas feitas com zoom que destacaram a pele de diferentes animais. Detalhes da pele de uma girafa ou de um leopardo ganharam uma nova perspectiva ao serem ampliadas diversas vezes e impressas em tecido específico para pintura, onde receberam diversas intervenções artísticas com aplicações de tinta acrílica, figuras geométricas em acrílico e escritas em alto relevo com tinta dimensional, além do uso de Photoshop, em uma proposta bastante contemporânea. No dia 26 de junho, foi a vez de 28 alunos da Escola Municipal José Gasparini conferirem a mostra que ficou aberta de 30 de maio a 30 de junho, no Showroom A.Yoshii, dentro do Circuito A.Yoshii de Artes Visuais.
A cada série observada, dividida em sete setores, o espectador também podia conferir por um aplicativo de celular sons característicos da fauna africana mixados com "sons geométricos ou metálicos", sons atonais que remetem a uma série de sensações que ajudam a "entrar no clima" da temática da exposição. Durante a visita monitorada, a artista explicou seu processo de criação e do quanto o trabalho proporcionou diferentes leituras, ressaltando a diferença entre trabalhos figurativos e obras contemporâneas geométricas.
A sobreposição de sons do aplicativo da mostra também seguiu a linha artística de utilizar a sobreposição de materiais nas telas. No decorrer da visita, ela procurou estimular nas crianças a percepção do quanto as peles retratadas evidenciam figuras geométricas e a importância de perceberem as texturas e cores utilizadas. Tocar as telas para sentir esses detalhes fez parte desse aprendizado sensorial.
Seja a partir da pele de um rinoceronte que remete a uma estrutura celular ou detalhes da juba de uma leão que ganham cores quentes e diversas aplicações em acrílico, a mostra mexe com a imaginação e a diversidade de materiais que podem ser utilizados na confecção de uma obra de arte, abrindo diferentes leituras. Diante do detalhe da pele de um antílope, na tela "Além", uma leitura meio transcendental da artista e até um "vulcão", na visão dos alunos.
A professora Alice Zundt aprovou a iniciativa: "É uma forma também de ampliar o repertório imagético deles desde a infância, o que contribui para o desenvolvimento da leitura de mundo e um olhar mais crítico e pensante", afirma a professora, que irá desenvolver uma pesquisa mais aprofundada sobre o continente africano.
A aluna Yasmim Sofia da Silva Batista, de 10 anos, gostou muito da visita e admitiu que não achava que seria tão interessante: "Foi muito legal e gostei de aprender sobre os animais e a mistura de materiais. A tela 'Leopintado' é linda e procurei prestar atenção em tudo". A aluna Bianca Emanuelle de Souza, de 9, também aprovou o que viu: "Foi a primeira vez que fui em uma exposição como essa e adorei. Se pudesse, compraria a tela do 'Leopintado' para ter em casa", diz.





