Existem crianças (e adultos) que acham que o mundo é uma enorme lata de lixo. Trata-se de um tipo de criança bem comum, encontrada em qualquer lugar. São meninos e meninas que andam por todos os lugares jogando lixo no chão, coisas como papel de bala, chiclete mastigado, saco de pipoca, latinha de refrigerante, palito de sorvete, embalagem de chips, pacote de bolacha, papel de bombom, etc.
Em ‘‘O Menino Que Quase Morreu Afogado no Lixo’’, livro que acaba de ser lançado pela Quinteto Editorial, a escritora Ruth Rocha conta a história de uma dessas crianças. Um história que acaba em tragédia, envolvendo até bombeiro, hospital e tudo.
Ruth Rocha conta a história de Ronaldinho, um garoto que adorava comer delícias - aquilo que os adultos chamam, com toda razão, de ‘‘porcarias’’, ‘‘tranqueiras’’, ou mesmo ‘‘bobagens’’. Justamente os alimentos que mais produzem lixo.
Ronaldinho era um menino que não ligava muito para a sujeira que fazia, muito menos depois de saborear todo os tipos de ‘‘tranqueiras’’. Jogava tudo no chão, espalhava lixo e sobras pelos cômodos da casa. Isso porque sempre havia alguém para limpar suas sujeiras - a empregada, a mãe, o pai, a avó.
Certo dia os pais resolveram fazer uma viagem. Como Ronaldinho estava em período de aula, não poderia acompanhá-los, ficaria em casa sob os cuidados da empregada e da avó. Seria a oportunidade ideal para o garoto colocar em prática suas mirabolantes bagunças. Seria o paraíso.
Paparicado pela avó e subestimado pela empregada, Ronaldinho, durante a viajem dos pais, transformou seu quarto num monumento de bagunça incontrolável. Além dos brinquedos e roupas jogados pelo chão, formou uma verdadeira montanha de lixo em volta da cama. Cada dia que se passava a montanha aumentava e aumentava.
Numa bela manhã, o menino não levantou para tomar o café. Preocupada, a empregada bateu na porta de seu quarto e não teve nenhuma resposta. Tentou abrir a porta, mas não conseguiu. Desesperada, chamou a avó, que também pouco pode fazer. A primeira providência foi chamar os bombeiros, a segunda, chamar os pais de volta.
Após muito trabalho, os bombeiros conseguiram abrir a janela. A surpresa foi grande, pois começou a despencar tudo que tipo de coisa: ‘‘caixas de flocos de milho, garrafas de refrigerantes, cascas de frutas, copos de papel, papéis de bombom, caixa de pizza, revistas velhas, canudinhos de refresco, tampas de garrafa, roupa suja, aviãozinho de brinquedo, ponta de lápis, lápis sem ponta, pacotes de balas, pratos de papelão, etc., etc., etc.’’. Quando abriram a porta, a surpresa foi semelhante: ‘‘Quinze bolas estouradas, um jogo de damas sem damas, um jogo de xadrez faltando cinco peças, um tambor furado, cinco cadernos do primeiro ano, um aquário de peixes, uma bicicleta, uma prancha de surfe, álbuns de figurinhas, uma porção de brinquedos de Kinder Ovo, um pé de tênis, um par de óculos, cinco garrafas de água, um guarda-sol de praia, umas doze caixas de lápis de cor usados e faltando várias cores’’, etc. Isso sem falar nos dezessete pares de meias sujas.
Soterrado sob tudo isso, pálido e desfalecido, estava o pequeno Ronaldino, literalmente afogado no lixo. Levado ao hospital, em poucos dias estava de volta, curado. Depois do episódio alguma coisa mudou no garoto, começou a manter o quarto sempre arrumado e colocou até uma lata de lixo do lado da cama. Uma não, na verdade colocou quatro latas, uma para cada tipo de lixo - orgânico e recicláveis.
Na história de Ruth Rocha, ilustrada por Alcy Linares, o garoto precisou quase morrer afogado para aprender, entre outras coisas, que lugar de lixo é no lixo. Mas, pensado bem, será que as pessoas sempre precisam passar por situações limites para entenderem coisas desse tipo?
‘‘O Menino Que Quase Morreu Afogado no Lixo’’ - De Ruth Rocha, ilustrações de Alcy Linares, Quinteto Editorial, 32 páginas, R$ 9,00.

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