Celso Mattos
A grande dificuldade em se contar uma história de amor contemporânea é a falta de obstáculos. Filmes como ‘‘Casablanca’’, ‘‘Romeu e Julieta’’ e ‘‘Love Story’’ encantaram multidões porque o casal de protagonistas esbarrava em questões religiosas e socais na concretização de seus sentimentos. Mas hoje em dia, essas questões perderam o significado. A saída encontrada por Hollywood foi investir nas tribos sexuais. Colocar homossexuais e heterossexuais num filme romântico se tornou o grande filão a ser explorado pela indústria cinematográfica norte-americana.
Produções recentes como ‘‘O Oposto do Sexo’’, no qual a irmã rouba o namorado do irmão gay e ‘‘O Beijo Hollywoodiano de Billy’’, que conta a luta de um fotógrafo homossexual para conquistar um rapaz heterossexual (porém não muito), misturam essas tribos urbanas com muito sucesso. ‘‘A Razão do Meu Afeto’’, que acaba de chegar às locadoras é outra produção que segue os mesmos passos, caracterizando-se como a mais bem-sucedida de todas elas, obtendo um honroso segundo lugar nas bilheterias dos Estados Unidos.
O filme é dirigido por Nicholas Hytner que já provou sua competência como diretor de fitas como ‘‘As Loucuras do Rei George’’ e ‘‘As Bruxas de Salem’’. Em ‘‘A Razão do Meu Afeto’’, ele conta a história de uma garota straight (hetero) que transforma seu amigo gay em objeto de seu desejo. Mistura de comédia e drama, a fita invade as sutis fronteiras entre amor, sexo e amizade, como muita sinceridade e afeto. Com isso, o diretor questiona que tipo de amor sustenta um relacionamento e até aonde a relação depende da paixão sexual?
‘‘A Razão do Meu Afeto’’ tem o sabor daqueles pirulitos baratos que você chupa com um misto de prazer e vergonha. É um filme antifamiliar que nada contra a corrente, mas que ao mesmo tempo nos mostra como o amor pode estar muito além da questão sexual. O filme brinca com a estereotipada lenda urbana que, atualmente, circula entre as mulheres na qual caras legais e sensívies são em sua maioria gays. Basta inverter os papéis e ‘‘A Razão do Meu Afeto’’ nos faz lembrar de ‘‘Procura-se Amy’’, dirigido pelo cineasta independente Kevin Smith, no qual Ben Affleck se apaixona por uma garota lésbica. Como se pode perceber, essa mistura de tendências sexuais está se tornando cada vez mais forte no cinema deste fim de milênio.
O filme que traz nos papéis principais Jennifer Aniston (da série ‘‘Friends’’) e Paul Rudd, que até agora só havia feito filmes idiotas como ‘‘As Patricinhas de Beverly Hills’’, consegue escapar do maniqueísmo sexual, agradando tanto hetero quanto homossexuais. Lançamento da Abril Vídeo. Duração: 112 minutos.

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