São Paulo - Ficar sem os sapatos, ser revistado pelos guardas. Essa rotina tão comum nos aeroportos já foi abolida em alguns terminais de passageiros mundo afora, que substituíram o detector de metal pela tecnologia do scanner corporal. O novo equipamento emite raios X, tornando possível visualizar o corpo da pessoa através da roupa. O passageiro só precisa se posicionar dentro de uma ''caixa'' e esperar a liberação dos oficiais de segurança.
As imagens produzidas têm boa resolução - parecem com um negativo de fotografia - e ajudam os guardas a identificar com facilidade objetos escondidos sob casacos ou dentro de calçados. Um ponto a mais para a segurança nos vôos.
Apesar de reduzir riscos e evitar a deselegância na hora do embarque, a tecnologia não deixa de ser polêmica. Isso porque alguns passageiros se sentem desconfortáveis com a exposição de suas imagens.
Para tentar resolver a questão, o Aeroporto de Heathrow, em Londres (Inglaterra), por exemplo, adotou como norma que a imagem de uma pessoa só pode ser vista por seguranças que sejam do mesmo sexo que ela. Além disso, o arquivo não fica armazenado nos computadores do terminal.
Os responsáveis pela administração do aeroporto asseguram que o passageiro tem a opção de não ser escaneado, se preferir. Nesse caso, terá de passar pelos procedimentos usuais: revista de corpo e detectores de metais.
Em Heathrow, os scanners corporais estão sendo testados há dois anos. Atualmente, funcionam apenas no Terminal 4. Nos Estados Unidos, a tecnologia ganhou espaço no Aeroporto de Phoenix, Arizona. Segundo a Administração de Segurança dos Transportes (TSA, em inglês), 79% do público prefere o scanner ao procedimento tradicional. No início de abril, o aeroporto de Los Angeles começou a operar o aparelho. Outro aeroporto americano - JFK, em Nova York - deverá ter o aparelho em breve.
Em Amsterdã (Holanda), o Schiphol também oferece a tecnologia - o número de scanners deve chegar a 17 nos próximos meses. Quer ver como o aparelho funciona? Confira um vídeo demonstrativo no site do aeroporto (www.schiphol.nl).
Brasil
O equipamento ainda é pouco conhecido pelos brasileiros - e, por causa da legislação, deve continuar assim por algum tempo. A Infraero informou que não pode instalar os aparelhos nos aeroportos que administra por causa de uma resolução da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Apesar de não ser muito específica, a Cláusula 5.411 da Norma NN 3.01, de janeiro de 2005, só autoriza o uso da tecnologia se for comprovado que ela produz mais benefícios que danos. Na avaliação, a comissão procura levar em conta fatores sociais e econômicos.
''A radiação usada neste equipamento é muito maior do que a encontrada em nosso dia a dia no computador, na televisão e no celular'', explica o radiologista Peng Yong Sheng, do Hospital Sírio Libanês. ''Ainda assim, ela é de baixa intensidade e provavelmente não causa danos ao nosso organismo.'' Sheng salienta que crianças e gestantes não correm risco ao passar por um scanner corporal.

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