A preocupação com segurança no Aeroporto Internacional de Miami (MIA) começou há três anos, conta o diretor-assistente de aviação do aeroporto, Bruce Drum. ''Em 98, fizemos uma operação com a polícia federal chamada 'Ratos das Rampas' com o objetivo de pegar funcionários das companhias aéreas que facilitavam o embarque de contrabando, como armas e drogas'', diz. ''Vários funcionários foram presos e condenados.''

Nesta oportunidade, afirma, o aeroporto aproveitou para melhorar sua segurança. ''Fizemos um trabalho conjunto com a prefeitura e, com mais verbas, implementamos novos sistemas'', diz. ''Assim, antes das regras da Agência Federal de Aviação (FAA), já tínhamos todos os requisitos necessários.'' Desde 99, US$ 100 milhões já foram investidos em segurança no aeroporto. ''Temos mais 35 projetos para iniciar, com custo de US$ 70 milhões.''

O MIA foi o primeiro aeroporto a adotar o sistema ''Snick Sam'' (abelhudo), no qual um agente à paisana anda pelas áreas de segurança do aeroporto sem identificação. O objetivo é averiguar se os funcionários destes locais param o intruso e pedem seus documentos, já que é proibido entrar sem autorização. ''Quem pega um agente, ganha US$ 20 como incentivo.''

Ainda por precaução, o aeroporto decidiu começar a pesquisar os antecedentes de cada novo funcionário contratado. ''Com isto, temos a certeza absoluta de que eles não participaram no passado de nenhum tipo de atividade ilegal, como contrabando ou terrorismo.''

Desde 11 de setembro, no entanto, Drum conta que novas medidas foram tomadas. ''Ficamos muito abalados com tudo o que ocorreu porque a tragédia nos mostrou que não somos tão seguros quanto pensávamos.''

''Uma delas foi começar um trabalho interdisciplinar com as polícias municipal, estadual e federal em todas as áreas do aeroporto para garantir a segurança de passageiros e funcionários.''

Outra novidade é a punição com cadeia de todo funcionário que não estiver desempenhando bem seu trabalho de segurança. ''Hoje, todos devem estar atentos a qualquer tipo de anormalidade e, quem falhar, tem de prestar contas à sociedade.''

Apesar de todo o investimento, o aeroporto ainda tem falhas. Segundo reportagens do ''The Miami Herald'', recentemente, agentes da FAA descobriram três problemas na segurança, todos relacionados à inspeção da bagagem e revista de passageiros.

''Estes procedimentos são de responsabilidade das companhias'', explica Drum. ''Mas sabemos que não somos perfeitos e que há pontos que precisam ser melhorados.'' (D.T./AE)

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