Aeroporto facilita turismo no Delta do Parnaíba
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terça-feira, 30 de maio de 2006
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
A natureza foi caprichosa na região do Delta do Parnaíba: a foz do rio que dá nome à cidade e ao principal ponto turístico do litoral do Piauí tem mais de 80 ilhas em seus 2.700 quilômetros quadrados. O caminho até o mar tem dunas, mangue e mata, e enche os olhos dos turistas que aportam por lá. Mas para chegar a esse paraíso, é preciso enfrentar, por terra, 350 quilômetros a partir de Teresina uma viagem de cerca de quatro horas.
Para atrair mais turistas, especialmente os europeus, foi assinado um acordo no qual a Infraero passou a administrar o Aeroporto de Parnaíba (PI), em junho de 2004 anteriormente sob a responsabilidade do governo do Estado. Pelo convênio, a empresa comprometeu-se a investir R$ 23,5 milhões ao longo de cinco anos, dando ao aeroporto capacidade para receber vôos internacionais.
No final de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reinaugurou o aeroporto, dando-lhe status de internacional. Uma esperança de desenvolvimento não apenas para Parnaíba, mas também para Jericoacoara (CE) e Barreirinhas, porta de entrada para os Lençóis Maranhenses. Isso porque as cidades estão a 168 e 180 quilômetros, respectivamente, de Parnaíba mais próximo do que a partir das capitais dos Estados.
O único problema é que, até agora, nenhuma empresa manifestou interesse em voar para o aeroporto. Ou seja: foi inaugurado, mas ainda não entrou em operação. O presidente da Piauí Turismo (Piemtur), José do Patrocínio Paes Landin, negociava com a TAF, que opera no Nordeste, para incluir Parnaíba em suas rotas. ''O aeroporto será fundamental para a economia local'', afirma Landin. ''O turismo será a fonte de desenvolvimento de toda a região.''
Landin tem reuniões marcadas com a TAM e a BRA. Segundo ele, também há negociações adiantadas com a Zebu Tours, uma operadora italiana que traria turistas em um vôo charter direto entre Milão e Parnaíba. Na volta, faria escala em Salvador. As operações seriam de novembro deste ano a março de 2007 e, depois, de julho de 2007 a março de 2008. Mas, por enquanto, não há nada efetivado.
Landin afirma que, no momento, não se teme um boom de turistas que poderia alterar o ecossistema local. ''Não haverá turismo de massa e já há medidas de proteção na região'', diz ele, numa referência ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e à Área de Proteção Ambiental (APA) do Delta do Parnaíba.
Enquanto os aviões com turistas europeus não chegam, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) prepara o empresariado local para a vinda dos visitantes. Segundo Germana Magalhães, coordenadora do projeto de turismo integrado entre Jericoacoara, Delta do Parnaíba e Lençóis Maranhenses, o foco principal é investir em qualidade de serviços.
''Quando o projeto começou, há um ano, não havia pensamento conjunto'', explica. Segundo ela, mudar a forma de pensar dos empresários era a principal dificuldade do trabalho. ''Começamos a levá-los em feiras de turismo, e eles perceberam que o concorrente deles não era o vizinho, mas os outros roteiros turísticos do Brasil.''


