Adriano Garib na minissérie 'Maysa'
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
''Uma mulher tão controversa e complexa. Na minha opinião são ações insuficientes tentar contar a trajetória dela numa minissérie, ficando quase como uma caricatura'', afirma o ator Adriano Garib, que em ''Maysa - Quando Fala ao Coração'' é o jornalista e produtor musical Roberto Côrte Real, responsável pela gravação do primeiro disco da cantora, interpretada pela atriz gaúcha Larissa Maciel.
Garib, que começou a carreira em Bauru (SP), integrou o emblemático grupo londrinense Delta de Teatro, de José Antonio Teodoro, diretor de uma carreira curta, mas que pontificou o nome na arte teatral brasileira.
O ator, que fez várias participações na Rede Globo, sendo a última na novela ''Duas Caras'' (2007), já tinha trabalhado com Jayme Monjardim, diretor da minissérie, filho de Maysa, em ''A Casa das Sete Mulheres'' (2003).
A participação é pequena se comparada com todo o enredo, assinado pelo autor de novelas Manoel Carlos, porém fundamental na trama. Além da aparição na última terça-feira na sequência em que tenta convencer a cantora a gravar o primeiro disco, o ator ainda aparece nas cenas de shows, com gravações no famoso Quitandinha, em Petrópolis, construído para ser o maior cassino-hotel da América do Sul, com salões hollywodianos da década de 40, e no Palácio das Laranjeiras, na capital fluminense, de arquitetura eclética, fortemente influenciada pelos estilos clássicos franceses Luís XV e XVI.
''Apesar da participação pequena, eu gravei bastante. Cada cena era como se fosse um evento enorme, contando com um batalhão de gente envolvida. O Jayme foi de um capricho enorme para fazer essa minissérie'', ressalta Garib.
O ator acrescenta que ''Maysa'' é um projeto pessoal do diretor, que contou com a direção de fotografia de Affonso Beato, o preferido do cineasta Pedro Almodóvar.
''O Jayme batalhou bastante para conseguir realizar a minissérie. Ele se deteve em cada sequência demoradamente, o que não é uma atitude dos profissionais de TV, que seguem uma linha industrial, trabalhando com pouco tempo. Tudo foi feito artesanalmente, gravando no máximo três sequências por dia, sendo que, às vezes, apenas uma sequência. O diretor vinha e conversava com cada ator, o que é uma característica mais de direção de cinema. O resultado é o que se vê, bastante sofisticação na tela'', revela Garib.
Paralelamente à tv, o ator não deixa de lado o palco. Ele está na peça ''O Nu de Mim Mesmo'', que deve representar o Brasil no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Fitei), no final de maio em Portugal.
''O teatro não é como o balé clássico, que possui um alfabeto de sons, ritmos e uma técnica para ser executada. A maneira de se relacionar com as leis são diferentes e vc precisa de uma maneira para lidar com esse material. Esse é o grande barato para quem se dispõe a ser um profissional de artes cências. É um problema porque você está condenado a ser livre''.


